Attac defende suspensão do pagamento da dívida
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quarta-feira, 24 de janeiro de 2001
Ayrton Centeno Agência Estado De Porto Alegre 
O presidente da Ação pela Tributação das Transações Financeiras em Apoio aos Cidadãos/França (ATTAC), Bernard Cassen, defendeu ontem a suspensão do pagamento da dívida pública dos países pobres, inclusive do Brasil. Também diretor do jornal francês Le Monde Diplomatique, ele é um dos organizadores do Fórum Social Mundial (FSM), que começa amanhã e se estende até o dia 30 na capital gaúcha. Para Cassen, o que falta é uma união dos países devedores para cessar os pagamentos. Este é o grande temor dos organismos financeiros internacionais, disse.
Lembrado de que o Brasil decretou moratória nos anos 80 e teve que voltar atrás, Cassen sustentou que, se as nações interessadas estiverem unidas, não haverá retaliações. Segundo ele, a União Soviética decretou a moratória. E o que aconteceu? Nada, respondeu. O diretor do Le Monde Diplomatique acentuou que o tema da dívida pública ele exclui os empréstimos contraídos por empresas privadas é central para a América Latina e a África. A dívida já foi paga, enfatizou, lembrando que alguns países do Terceiro Mundo chegam a comprometer 25% do seu orçamento para tentar saldá-la.
Cassen afirmou que a ATTAC discutirá outros temas no FSM, como a adoção da taxa Tobin uma taxação sobre a especulação monetária mundial, que reverteria em favor, por exemplo, do acesso à água de um bilhão de pessoas no mundo. Todos os opositores da taxa Tobin dizem que é uma excelente idéia mas que não é factível. Não é verdade, criticou.
A movimentação principal de moedas ocorre, segundo ele, na América do Norte, Europa e Japão. São, fundamentalmente, 12 ou 13 países, e, se houver vontade dos Estados, a cobrança da taxa é tecnicamente possível, considera. Cassen não acredita que o Fundo Monetário Internacional (FMI) ou o Banco Mundial possam assumir essa tarefa. Uma das idéias em debate envolve a criação de um novo organismo internacional. Não apenas com a participação dos Estados mas também de representantes parlamentares, sugeriu. Ele propõe que o poder público continue a prover a aposentadoria dos cidadãos, já que, na sua opinião, os fundos de pensão não oferecem a mínima garantia.
Cassen presidirá uma das quatro conferências do FSM na sexta-feira, na PUC/RS. Seu tema será Que comércio internacional queremos?. Também participarão da mesa o diretor da ONG Focus on Global South, Walden Bello; o representante da West University, da Cidade do Cabo, Dot Keet; o presidente do Instituto de Políticas para Agricultura e Comércio de Minnesota (EUA), Mark Ritchie; e os brasileiros Kjeld Jacobsen, secretário de Relações Internacionais da CUT, e Oded Grajew, coordenador da Associação Brasileira de Empresários pela Cidadania (Cives).


