Attac considera Itamar símboloda rebeldia à globalização
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sábado, 23 de outubro de 1999
Por Reali Júnior 
Marselha, 24 (AE) - "Símbolo da rebeldia à globalização no Brasil ", segundo a Associação para a Taxação das Transações Financeiras e Ajuda ao Cidadão (Attac), o governador de Minas Gerais, Itamar Franco (PMDB), foi recebido com muitos aplausos por um público militante de quase 2 mil pessoas reunidas em La Ciotat, cidade industrial nas imediações de Marselha, na França durante o congresso anual da entidade. Essa organização, presidida pelo jornalista Bernard Cassen, do jornal "Le Monde Diplomatique", foi fundada em 1998, mas conta com mais de 12 mil membros espalhados por diversos países, até mesmo o Brasil. O objetivo da associação é desenvolver um combate ferrenho contra o ultra-liberalismo, apoiar a taxa Tobin contra a especulação financeira e denunciar os efeitos nefastos da globalização.
Itamar passou a representar para esse grupo um aliado importante no Brasil, não apenas por ter decretado a moratória no Estado, mas também por ter assumido destaque na denúncia da posição oficial do governo brasileiro, segundo a Attac, inteiramente submetida ao Fundo Monetário Internacional (FMI). Por isso, apesar da chuva e dos fortes ventos que ameaçavam as tendas montadas no estacionamento do Vieux Port de La Ciotat, os membros de Attac, em grande parte homens da geração de 1968, ouviram com entusiasmo o discurso preparado por Itamar, mas que foi lido pelo assessor econômico dele, Alexandre Dupeyrat, que domina com autoridade a língua francesa, ao contrário do governador.
Itamar denunciou a multiplicação dos paraísos fiscais e bancários, identificando os defensores com as mesmas forças que pressionam no sentido da chamada "liberalização do comércio internacional". Itamar disse que o Brasil continua sob tutela do FMI e que, em troco de um empréstimo "stand by", passou a exigir a adoção de uma política que gerasse superávits primários
corte de gastos e aumento da carga tributária. Ele acredita que a opção do governo de Minas Gerais tenha contrariado radicalmente os interesses da globalização financeira, insensível às necessidades da sociedade .
Itamar criticou também a onda privatizante que tem origem nas praças financeiras e que visa a lucro fácil e imediato, de acordo com ele.
Lógo após o discurso de Itamar, os congressistas foram avisados que deveriam deixar rapidamente o local, pois o serviço de meteorologia anunciava ventos e tempestades. O Corpo de Bombeiros não se responsabilizou também pela manutenção das tendas em posição correta, aconselhando o público a evacuar o local. O fim da festa teve de ser antecipado e Itamar e a comitiva dele voltaram ao hotel para uma entrevista com os jornalistas brasileiros que acompanharam o evento, antes de embarcar para Paris. Amanhã (25), o governador de Minas Gerais será homenageado na Maison de LAmerique Latine e terça-feira (26) almoça com 122 deputados da Assembléia Nacional, todos signatários de um emenda que visa a taxar os capitais especulativos. Ele reúne-se também com bancos cooperativos e só volta para o Brasil na quinta-feira (28), após a visita que o presidente Fernando Henrique Cardoso fará a Ipatinga (MG), onde os japoneses, apesar da moratória, prometem investir mais US$ 1 5 bilhão.


