Brasília, 11 (AE) - Os atritos entre o Ministério da Justiça e a Secretaria Nacional Antidrogas começaram em dezembro de 1998, quando o secretário Walter Maierovitch divulgou à imprensa e, depois, encaminhou ao Ministério Público (MP), um dossiê sobre a ação da máfia italiana nos bingos no Brasil.
Somente depois que os documentos, enviados pela polícia italiana, chegou ao procurador-geral da República, Geraldo Brindeiro, é que a Polícia Federal (PF) soube da existência deles. Com a saida de Dias, o general Alberto Cardoso, ministro-chefe do gabinete de Segurança Institucional, é fortalecido dentro do governo.
O caso causou um mal-estar entre os dois orgãos, mas os dois lados contornaram a situação, que voltou a ficar tensa depois que Maierovitch começou a divulgar dados sobre o combate ao narcotráfico, até então mantidos reservadamente pela PF. Entretanto, foi a partir da demissão do ex-diretor-geral da PF Vicente Chelotti, em março de 1999, que a crise aumentou, causando até mesmo a demissão do então ministro da Justiça, Renan Calheiros, hoje, senador pelo PMDB de Alagoas.
Para a vaga de Chelotti, Calheiros defendia o coordenador de Polícia da instituição, Vantuir Brasil Jacine, substituto direto do ex-diretor. Cardoso, ainda como chefe do Gabinete Militar, indicou o delegado João Batista Campelo, que foi nomeado, mas ficou apenas três dias no cargo. Ele foi acusado de ter participado de torturas, quando trabalhava na PF no Maranhão. Na posse dele, Calheiros deu demosntração explícita que era contra a indicação, como depois afirmou publicamente.
Campelo, diante das acusações, não teve alternativa a não ser desistir da direção da PF, para onde foi indicado o superintendente da corporação em Minas Gerais, Agílio Monteiro Filho, que ficou até hoje no cargo. Porém, Calheiros também foi demitido em seguida, sendo substituido pelo advogado José Carlos Dias. A crise pôs Cardoso como demissionário, o que não aconteceu. Ele deixou o Gabinete Militar para chefiar a Secretaria de Segurança Institucional.
Segundo fontes do ministério da Justiça, a intenção do general é criar um ministério exclusivamente voltado para cuidar da segurança pública. Com isso, a PF seria ligada diretamente ao novo orgão. Mas, para o Palácio do Planalto, a intenção é olhar mais de perto as atividades da PF. Além disso, a crise também foi motivada pela falta de uma definição clara do governo sobre quem vai gerenciar a política de combate ao narcotráfico. Para o ex-ministro da Justiça, a tarefa cabe exclusivamente à PF, enquanto que, de acordo com o Palácio do Planalto, isso é tarefa da Secretaria Nacional Antidrogas.

mockup