Atraso prejudica ensaio da visita do papa
PUBLICAÇÃO
quinta-feira, 25 de setembro de 1997
Agência Estado Rio 
A simulação para testar o esquema de segurança e trânsito durante a visita do papa João Paulo 2º ao Rio, feita ontem, foi um atropelo só, reconheceu o embaixador Flavio Perri, coordenador nacional da visita do papa. Ele garantiu que o ensaio era apenas para acertar o cerimonial e verificar se cada um sabia seu papel. O papa fica no Rio de 2 a 5 de outubro. O papamóvel andou vazio pelas avenidas do centro, bloqueadas e vazias no horário do rush.
A programação começou com atraso. Marcada para as 16 horas na Base Aérea do Galeão, a simulação da recepção ao papa na pista do aeroporto começou apenas às 16h20. Soldados do Exército, Marinha e Aeronáutica fizeram seu papel, ensaiando a apresentação de armas e as homenagens militares. Um integrante do cerimonial da Presidência da República, Roberto Abdala, fingiu ser Fernando Henrique Cardoso e Marta Rocha Carneiro, da comissão organizadora da visita, atuou como a primeira-dama Ruth Cardoso. A Banda da Aeronáutica tocou os hinos nacionais do Vaticano e do Brasil.
Não houve cronometragem dos discursos de João Paulo 2º e Fernando Henrique - que, segundo os organizadores, devem durar 24 minutos -, nem da apresentação do coral infantil. Ao todo, a simulação do desembarque durou dez minutos. O principal resultado foi encurtar o percurso a pé que o papa vai fazer entre o avião e o helicóptero: passou de 144 metros para 116 metros.
Foi testado ainda um esquema alternativo: caso o helicóptero não possa decolar por problemas mecânicos ou de teto, João Paulo 2º seguirá numa Mercedes com batedores. Da Base Aérea, quatro helicópteros - e não os seis previstos - seguiram para o 3º Comando Aéreo Regional (Comar), no centro. Diante do quadro confuso da simulação, Perri decidiu que, em vez de decolar às 16h45, a aeronave papal vai ter dez minutos a mais no dia da chegada. Ainda assim, o pouso aconteceu com quinze minutos de atraso.
A comitiva, com 19 carros, saiu do 3º Comar às 17h23, com oito minutos de atraso, e chegou ao prédio dos Correios às 17h37. Ali, o papa vai trocar o papamóvel por um automóvel blindado. Às 17h55, a comitiva seguiu para a residência do cardeal dom Eugenio Sales, na zona norte. No percurso, foi recuperado o tempo perdido: o papamóvel chegou às 18h08, sete minutos antes do previsto.
Com medo de um possível congestionamento, o carioca foi para casa mais cedo. Empresas com sede no centro dispensaram os funcionários antes das 16 horas. A Assembléia Legislativa decretou ponto facultativo. Mesmo assim, quem não foi liberado enfrentou engarrafamentos nas ruas próximas às 17 vias fechadas ao trânsito para a simulação.


