São Paulo, 19 (AE) - O trem do metrô que descarrilou ontem (18) circula há 25 anos e já rodou 3 milhões de quilômetros. Faz parte da leva mais antiga de trens da Companhia do Metropolitano. Desde 1974, ano do início das operações, a composição 002 atende à Linha Norte-Sul. Chegou também a atender o Ramal Paulista.
Para o Sindicato dos Metroviários, a idade do trem, somada à falta de manutenção crescente nos últimos seis anos, é um sério problema. "Quanto mais o tempo passa, mais as peças vão ficando velhas e exigem mais cuidados", disse o presidente do sindicato, Onofre de Jesus. "Se houvesse de fato a manutenção preventiva, a idade do trem não importaria, pois ele estaria conservado."
O metrô rebate às críticas, afirmando que há manutenção e a vida útil de um trem varia de 30 a 50 anos. Além disso, informaram os assessores, o acidente poderia ter ocorrido com um trem de dois meses de uso.
Até hoje, entretanto, a companhia não sabia explicar porque o disco de freio do quinto vagão da composição 002 soltou-se, ocasionando o acidente que paralisou o sistema entre as Estações Tucuruvi e Luz por 23 horas consecutivas.
Segundo a Assessoria de Imprensa do Metrô, um laudo está sendo preparado por uma comissão de técnicos e deve ser divulgado nos próximos dias. Ontem, o Metrô informara que o acidente pode ter ocorrido por defeitos no disco de freio, nos parafusos ou falha humana.
A frota do metrô hoje conta com 99 trens. Os 51 trens da Linha Norte-Sul têm idade média entre 23 e 25 anos. Na Linha Leste-Oeste, os 47 trens têm em média 20 anos. Apenas 11 trens são novos. Cada trem roda 120 mil quilômetros por ano. Segundo a companhia, a cada 1,4 milhão de quilômetros rodados é feita uma grande revisão e todos os equipamentos são refeitos. A cada 30 mil quilômetros, as máquinas passam por revisão de rotina. Os discos de freio são revisados a cada 400 mil quilômetros.

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