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Atraso no fornecimento de medicamentos faz HCL atrasar agenda

Dentre 600 pacientes em tratamento contra o câncer de tiroide, cerca de 10% poderão ter etapa interrompida até a normalização do fornecimento de remédios

Vitor Struck - Grupo Folha
Vitor Struck - Grupo Folha

O HCL (Hospital do Câncer de Londrina) teve que suspender a agenda de pacientes que receberiam o medicamento administrado no tratamento contra o câncer de tireoide em decorrência do atraso no fornecimento dos radiofármacos. Conforme a diretoria da instituição, cerca de 80 pacientes terão que aguardar um pouco mais até a normalização do fornecimento, o que deverá ocorrer em cerca de duas semanas.


Entretanto, instituições de todo o País também precisarão readequar suas agendas em decorrência da queda da produção de radiofármacos pelo Ipen (Instituto de Pesquisas Energéticas e Nucleares), que teve seu orçamento para a importação de insumos afetado. Nesta semana, o Ministério da Economia anunciou a liberação de R$ 19 milhões em crédito suplementar para que o Instituto volte a importar insumos necessários para a produção de remédios, entretanto, o valor foi considerado insuficiente. 

 

Atraso no fornecimento de medicamentos faz HCL atrasar agenda
Gustavo Carneiro/23-6-2020
 


“Prejuízo para 10%, porque os outros ainda estão em processo de cirurgia, estão aguardando. Então cerca de 80 pacientes seriam prejudicados imediatamente. Os outros ainda conseguem aguardar um pouco mais”, avaliou o diretor-geral do Hospital do Câncer de Londrina, Edmílson Garcia, nesta quinta-feira (23). Atualmente, cerca de 600 pacientes atravessam tratamento contra o câncer de tireoide, um dos menos letais, com até 85% de chances de cura se descoberto em sua fase inicial. 


A produção de radiofármacos usados para o diagnóstico e tratamento de pacientes com câncer voltou à pauta há pouco mais de uma semana, quando o Ipen alertou sobre a queda na produção dos materiais que servem de base para esses medicamentos em decorrência de uma nova realidade financeira. O instituto fabrica 25 radiofármacos diferentes e é responsável por 85% do fornecimento nacional, envolvendo também a produção de remédios para demência e epilepsia, entre outras doenças.  


Além do Iodo radioativo, o Hospital do Câncer de Londrina utiliza outro produto que teve sua fabricação interrompida, o gerador de Tecnécio-99m, radioisótopo usado para a realização de todos os exames de cintilografia. O Ipen é o único responsável pela fabricação do produto no País devido a restrições constitucionais que vedam a produção pelo setor privado.  


Entretanto, existe um “plano B” para a ausência do produto, explicou Garcia à FOLHA. Trata-se do corante azul patente, que funciona como um “evidenciador da área cancerígena”, explicou. “Mas dá mais trabalho para a equipe médica porque o cirurgião precisa espalhar pela área afetada. Implica em maior tempo de cirurgia e maior uso de anestesia”, concluiu.  


Os principais insumos utilizados pela medicina nuclear no Brasil são importados de países como África do Sul, Holanda e Rússia. A falta dos medicamentos pode afetar cerca de 2 milhões de pacientes em todo o País, informou a Sociedade Brasileira de Medicina Nuclear.  


O presidente da Sociedade Brasileira de Medicina Nuclear, George Coura Filho, busca aumentar a verba aprovada nesta semana para completar os R$ 89,7 milhões necessários para o Ipen necessita para produzir radiofármacos até o final deste ano. Conforme portaria publicada no Diário Oficial da União nesta quarta-feira, os recursos do Ipen foram liberados juntamente com verbas suplementares para o Ministério de Minas e Energia que totalizam R$ 27,8 milhões. 


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