Atraso nas obras preocupa prefeitos
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sábado, 05 de julho de 1997
Antônio França Guaíra e Foz do Iguaçu 
Ney de SouzaToque de caixaCronograma estabelece 10 de setembro como prazo máximo para a conclusão das obras da base náutica de ItaipulândiaA menos de três meses do início dos Jogos Mundiais da Natureza, que serão disputados entre 27 de setembro e 5 de outubro nos 1.400 quilômetros de orla do lago da Hidrelétrica de Itaipu, no Oeste do Estado, a maioria das obras necessárias para as competições está apenas começando. Algumas nem saíram da prancheta.
Na virada do calendário de junho para julho, prefeitos dos 11 municípios que sediarão as 13 modalidades dos jogos (terra, água e ar) perceberam a proximidade da data inicial do evento e o atraso no cronograma de obras. Bateu, então, o desespero geral, conta o deputado estadual, Sérgio Spada (PSDB), presidente da Comissão de Turismo da Assembléia Legislativa.
No mês passado, ventilou-se dentro da Casa Civil do Palácio Iguaçu a possibilidade de adiar os Jogos Mundiais da Natureza para abril do próximo ano. No entanto, o governador Jaime Lerner (PDT) descartou uma nova data porque sabia que a mídia estaria ocupada com outros acontecimentos como a Copa do Mundo e eleições para presidente da República e governadores.
O deputado Spada chegou a receber dezenas de ligações de prefeitos da região Oeste. Todos estavam preocupados com o atraso nas obras. Em 25 de junho, o secretário de Turismo e Esportes, Osvaldo Magalhães Santos, e o secretário-executivo dos Jogos Mundiais da Natureza, Heinz George Herwing, prestaram esclarecimentos na Comissão de Turismo da Assembléia. Houve a garantia de que os jogos vão acontecer, independente de obras, disse Spada.
O corre-corre é geral em todos os canteiros de obras e operários estão virando a noite trabalhando. As obras das seis bases náuticas para as competições, sob responsabilidade da empreiteira Tucumã em Itaipulândia, Foz do Iguaçu, Guaíra, Entre Rios, Porto Mendes e Santa Helena, estão sendo feitas a toque de caixa.
No canteiro de Itaipulândia (a cerca de 80 quilômetros ao norte de Foz), o engenheiro Maurício Koyama Vilas Boas é o mais preocupado. No início da noite de quarta-feira ele cobrava rapidez à Copel para terminar a instalação de lâmpadas nas margens do lago, para que pudesse trabalhar durante as 24 horas do dia.
Segundo Vilas Boas, o prazo para terminar as obras expira em 10 de setembro. No entanto, segundo os técnicos, se chover a entrega da infra-estrutura dos jogos fica comprometida. Cada dia de chuva, nós perdemos entre três e quatro dias de trabalho, calcula o chefe de obras da empresa Sotram, José Costa Filho, responsável pela construção do acesso à base náutica de Porto Mendes, distrito de Santa Helena.
Entre os prefeitos, o mais preocupado com o andamento das obras é o de Guaíra, Manoel Cuba (PPB), que também é presidente do Conselho dos Municípios Lindeiros, que engloba todos as cidades que compõem o projeto Costa Oeste do governo. A Folha constatou na quarta-feira que a base de Guaíra, com três hangares e capacidade para 600 barcos, farol de sinalização, atracadouro e centro administrativo, sequer tinha saído do chão.
Na primeira tentativa, os engenheiros responsáveis pela obra em Guaíra constataram que, devido à umidade do local, o alicerce da construção não poderia ser feito pelos métodos convencionais. Eles estão tentando uma tecnologia européia com brocas de ferro cravadas cinco metros no solo.
Todos os municípios trabalham com a possibilidade da infra-estrutura não ficar pronta. Se as obras não forem concluídas, os Jogos vão acontecer mesmo assim porque já foi programado e não dependem das obras, acredita o presidente do Conselho dos Municípios Lindeiros.
Em Foz do Iguaçu, a obra do parque da barragem - que vai resultar num canal de águas rápidas para a realização de provas de canoagem e rafting - também está sendo feita a todo vapor, com homens trabalhando 24 horas por dia. Na última quinta-feira, o secretário de Esportes e Turismo viajou a Foz do Iguaçu para tranquilizar o prefeito Harry Daijó (PPB) e garantir a conclusão da obra de sua cidade.
A coordenadora de infra-estrutura dos Jogos Mundiais da Natureza, arquiteta Maria Helena Paranhos, passou a semana na região Oeste. Ela se debruçou sobre vários projetos, sobrevoou todas os canteiros e constatou: As obras devem ser concluídas, mas elas são, na verdade, do projeto Costa Oeste, e o que ficar pronto será usado pelos jogos.
Maria Helena trabalha com a possibilidade da infra-estrutura total não estar concluída até o início dos jogos. Porém, diz que as obras não atrapalham o evento e nem ofuscam a beleza dos Jogos Mundiais da Natureza. Sou mais otimistas que os prefeitos. Tenho quase certeza que as obras, pelo menos as necessárias, ficarão prontas. O que vem ocorrendo é que os moradores da região estão com mais expectativa do que evento pode oferecer, disse.
Deficiências Com exceção de Foz do Iguaçu e Guaíra, que rouba sinais de cidades vizinhas, a região onde serão realizados os jogos não é servida por telefonia celular. A Telepar também trabalha em ritmo acelerado para concluir a instalação de estações de rádio-base temporárias que vão funcionar durante as competições.
O vice-presidente da Telepar, Luiz Mário Lampret Marques, disse à Folha que todas as instalações ficarão prontas no prazo e nega qualquer atraso. Porém, admite o corre-corre de última hora.
Os atletas e pessoal da coordenação que se deslocarão do extremo Oeste do Estado para Guaíra vão encontrar uma estrada cheia de buracos, sem acostamento e perigosa. O trecho mais crítico da BR-163 é entre Mercedes e Esquina Gaúcha, onde carros são desviados para as margens da rodovia.
Segundo o Departamento Nacional de Estradas e Rodagens (DNER), que transferiu a jurisdição da rodovia para o Departamento Estadual Estradas e Rodagens (DER), não há previsão de reformas e melhorias no trecho. Por ali passarão os atletas de ciclismo em estilo montain bike e as dificuldades são boas para a prova, conforma-se o secretário de Turismo de Guaíra, Luiz Alberto Zebarlos Rolon.


