Atrasado envio de carta a parentes de Elián
Miami, 11 (AE-AP) - Com o propósito de pôr um ponto final o quanto antes na odisséia de Elián González, a secretária de Justiça Janet Reno indicou nesta terça-feira (11) estar disposta a reunir-se com os parentes do menino em Miami e líderes da comunidade cubana nesta cidade.
Mas o mudança de tutela do pequeno náufrago cubano encontrou um obstáculo, quando o governo atrasou o envio aos parentes de uma carta que explicava como e quando os familiares deverão entregar Elián a seu pai, que deseja regressar com ele a Cuba.
Um funcionário do Departamento de Justiça, que pediu anonimato
disse esta noite ser improvável que a reunião entre Reno e os familiares de Elián em Miami ocorra amanhã.
Antes, o funcionário disse que Reno provavelmente viajaria nesta quarta-feira a Miami.
Esta noite, uma porta-voz da Fundação Nacional Cubano-Americana disse que o pai de Elián se reuniria com os parentes de Miami por volta do meio-dia de amanhã em Washington.
A porta-voz, Ninoska Pérez, disse que o encontro foi organizado pelo senador Robert Torricelli, democrata de Nova Jersey. Uma entrevista coletiva sobre a reunião estaria programada. Mas não foi possível confirmar se tal reunião ocorreria.
Janet Reno deveria ir a Miami para resolver o impasse sobre a entrega de Elián a seu pai, Juan Miguel González, pelos parentes exilados que tentam manter o menino nos EUA.
Um funcionário do Departamento de Justiça informara que Reno iria a Miami encontrar-se com líderes comunitários e o tio-avô do garoto. Ela se reuniria com oficiais federais, líderes comunitários e - mais significativamente - com a família de Lázaro González.
Reno afirmou hoje em Washington ao prefeito de Miami, Joe Carollo, que "está muito disposta a reunir-se com Lázaro e qualquer membro da família González e líderes comunitários em Miami".
Numa carta distribuída hoje pela manhã na frente da casa do tio-avô e endereçada ao psiquiatra designado pelo governo para o caso, a família disse que estaria disposta a se reunir com Juan Miguel González em qualquer "local neutro no sul da Flórida".
Os parentes exigiram garantias de que Elián não será tomado deles durante o encontro. A carta afirmava que a conferência poderia ser "seguida quase imediatamente por um encontro incluindo Elián". Mas Armando Gutierrez, um porta-voz dos parentes, disse que eles querem garantias por escrito de que o governo não irá tentar tirar Elián deles na reunião.
A porta-voz do Departamento de Justiça, Carole Florman, considerou a oferta de Lázaro de reunir-se com Juan Miguel como um assunto familar. "Esse não é um pedido que os parentes de Miami podem fazer ao governo", afirmou ela. "Eles devem fazê-lo a Juan Miguel."
Na segunda-feira, Lázaro González reuniu-se por uma hora com dois psiquiatras e um psicólogo enviados pelo governo para acertar uma tranquila transferência da custódia do menino de seis anos de seu tio-avô para o pai. Os médicos, que se encontraram com o pai de Elián em Washington no domingo, realizaram uma teleconferência esta manhã com a comissária de imigração Doris Meissner para apresentar suas recomendações, disse Florman.
Desdobramentos recentes têm levado muitos apoiadores dos parentes de Miami a concluir que a partida de Elián ocorrerá em breve. "As pessoas sentem que o tempo está provavelmente acabando e muitas pessoas estão desesperadas", disse Ninoska Perez, uma porta-voz da Fundação Nacional Cubano-Americana.
Na noite de segunda-feira, milhares de pessoas no bairro de Pequena Havana promoveram uma passeata até a casa de Lázaro González, levando bandeiras de Cuba, cantando o hino nacional cubano e rezando por Elián. A polícia estimou a multidão em 15.000 pessoas. Não foram registrados atos de violência.





