Atrair jovens é desafio para a Igreja
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domingo, 26 de maio de 2013
Fábio Galão<br>Reportagem Local 
Londrina - Às vésperas de receber a 28ª edição da Jornada Mundial da Juventude, que será realizada no Rio de Janeiro entre 23 e 28 de julho, o Brasil vive um processo histórico de diminuição da população jovem católica. De acordo com dados do Censo do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), na década passada a proporção de brasileiros com idade entre 15 e 19 anos que se declaravam católicos diminuiu de 74,13% para 63,66% da população nessa faixa etária.
A redução da participação dos católicos na população brasileira ocorre em todas as idades, mas é levemente mais acentuada entre os jovens. Em 2000, a porcentagem de jovens católicos era superior ao índice geral da população do País, já que 74,13% dos brasileiros entre 15 e 19 anos se diziam católicos, enquanto a proporção em todas as faixas de idade era de 73,57%. Dez anos depois, houve uma inversão, e o índice geral da população brasileira (64,63%) passou a ser maior do que entre os adolescentes. Enquanto a queda geral de participação proporcional foi de 8,94%, entre o público de 15 a 19 anos a redução foi de 10,47%.
Dom Eduardo Pinheiro, presidente da Comissão Episcopal Pastoral para a Juventude da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB), considera que os números do Censo "não são o único dado" e não chegam a "assustar" a Igreja.
"A nossa preocupação é quanto à qualidade da participação, e, pelo que temos visto, nas paróquias, nos ambientes da Igreja, está ocorrendo justamente o oposto (da diminuição da presença de jovens): uma maior participação dos jovens", explica. "Vemos uma participação mais consciente, interessada no aprofundamento da fé, nas propostas, nos grupos, com atenção para o que a Igreja está orientando."
O bispo aponta que a migração para outras igrejas pode ser uma "busca da novidade", típica do comportamento jovem, mas reconhece que a Igreja Católica ainda precisa mudar alguns aspectos, como "possibilidades para participação do jovem" e a "linguagem" para abordar esse público. "A maior preocupação não é que mais jovens venham para a Igreja, e sim a participação da Igreja na vida do jovem."
A respeito da Jornada da Juventude, dom Eduardo afirma que "a maior preocupação não é atrair jovens para a Igreja". Ele destaca a participação massiva em eventos preliminares da jornada, como a passagem da Cruz Peregrina por várias cidades. "Ela mostrou como os jovens estão muito próximos da Igreja."
Criada na década de 1980 por João Paulo 2º, a Jornada é um encontro internacional de jovens com o papa. No evento, ocorrerá a primeira visita do papa Francisco ao Brasil desde sua eleição, em março. Embora seja organizado pela Igreja Católica, o evento é aberto a jovens de outros credos e religiões. A expectativa é de um grande público: na jornada anterior, realizada em Madri em 2011, foram 2 milhões de participantes.
A estudante Ellen Giroti, de 17 anos, vai à jornada junto da irmã de 15 anos e da mãe, em uma excursão que vai sair de Londrina. Ela tem uma participação intensa na Igreja desde os quatro anos, quando entrou na Infância Missionária. Hoje, integra os grupos de música e de jovens da paróquia que frequenta. "Vai ser impressionante ver pessoas de todo o mundo falando a mesma língua, a língua para Cristo."



