Atracadouros da Ilhabela preocupam ambientalistas
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segunda-feira, 06 de dezembro de 1999
Por Júlio Ottoboni 
Ilhabela, SP, 06 (AE) - Os ambientalistas estão alarmados com o aumento de atracadouros ao longo da costa da Ilhabela. A degradação ambiental é crescente em toda região costeira. A ilha, quase em sua totalidade, é preservada como Parque Estadual e seu entorno está classificado como santuário ecológico, sendo um dos mais ricos da costa brasileira. O presidente da Organização Não Governamental (ONG) Biosfera Project e biólogo, Paulo José Sawaya de Lima, denuncia as péssimas condições do meio-ambiente subaquático nas proximidades da ilha. " A situação é grave", comenta.
O secretário estadual do Meio Ambiente, Ricardo Trípoli, estará na ilha, na próxima quinta-feira, verificando as denúncias. Ele receberá um vasto material da entidade ambiental que apresenta provas concretas dos estragos provocados pelos atracadouros. Além de relatórios com pareceres técnicos, também será entregue uma fita de vídeo com filmagem submarinas mostrando a degradação no ambiente marítimo.
A Biosfera Project é especializada no litoral norte paulista, destacando-se nas atividades em ilhas. O biólogo Paulo Lima adverte sobre a poluição gerada pelo alto uso de embarcações motorizadas em diversos pontos da costa da ilha e dos prejuízos ambientais que isto vem causando. O fluxo de barcos tem causado impacto sobre a cadeia alimentar, provocado a extinção e evasão de diversas espécies marinhas até então comuns no ecossistema da região. "Tenho visto muito residual turístico no fundo do mar", afirma.
Com a criação de novos píeres, a tendência é espalhar e adensar ainda mais o número de embarcações ao longo da costa de ilha. A proximidade entre eles é outro grande problema, pois em alguns casos as construções estão separadas por distância menores que 500 metros. O esgoto dos barcos, a queima e vazamento de combustível e a vibração dos motores tem afetado drasticamente a fauna existente nos entornos da Ilhabela. " Há impacto físico, químico e biológico na ilha", observa o ambientalista.
Embaixo de cada píer ocorre uma acentuada descaracterização do meio ambiente, com a redução da biodiversidade e alterações na fauna e flora. Essas construções que se estendem como braços sobre o mar interferem nas microcorrentes, elevam a temperatura da água e quando se encontram em baías criam depósitos sedimentários em seus contornos, deixando as águas mais razas. Pelos cálculos do biólogo, cada píer afeta e modifica o ambiente marinho num raio de 300 metros.
Outra questão grave é a formação de lodo tóxico, produzido pelo óleo combustível que libera metais pesados como o chumbo, mercúrio e enxofre. Parte deste material químico acaba sendo levado pela maré e se agrega as pedras, impermeabilizando-as. Isto dá início a um processo de desertificação na faixa costeira. O restante é ingerido pelos peixes, matando-os ou contaminando sua carne. "Esse processo tende a criar a desertificação marinha", denuncia Paulo Lima.


