BRASÍLIA - Nenhuma autoridade federal compareceu ontem ao ato público que lembrou o sétimo dia da morte do índio pataxó Galdino de Jesus dos Santos, no ponto de ônibus onde ele foi queimado vivo. O ato, que durou cinco horas, virou um palanque para os índios pedirem a demissão do presidente da Fundação Nacional do Índio (Funai), Júlio Gaiger, reclamarem a demarcação de terras, da falta de assistência médica e até mesmo da venda da Companhia Vale do Rio Doce, além de apoio ao grupo de sem-terra presente.
Isolado, pintado de vermelho e alheio a boa parte da manifestação, o índio Araribóia Pataxó - que se disse primo de Galdino - passou boa parte do tempo em cima de árvores ou sobre o ponto de ônibus, provocando os manifestantes. ‘‘Vocês não gostam de índio, só querem saber de dinheiro’’, afirmou, chorando.
No ponto de ônibus onde o índio foi incendiado, na quadra 703/704 da avenida W3 Sul, houve uma série de homenagens. O banco onde Galdino dormia foi tomado por flores e rosas. No chão onde ele caiu foi desenhado com giz o corpo de um índio, cercado de velas acesas.
A promotora Maria José de Souza Pereira, 40, será a responsável pela acusação no processo sobre a morte do índio pataxó Galdino Jesus dos Santos, caso o julgamento ocorra na Vara do Tribunal do Júri do Distrito Federal. Maria José é casada e tem dois filhos, de 18 e 19 anos - mesma faixa etária dos acusados. ‘‘Quando os jovens têm o tempo ocupado com Deus, não sobra espaço para diversão não sadia’’, disse a promotora, que é católica carismática.
Depois de analisar o inquérito, ela afirmou que houve crime de homicídio doloso triplamente qualificado - considerado hediondo. O julgamento, segundo a promotora, acontecerá até agosto. ‘‘Aqui nós trabalhamos muito todos os dias’’, disse.

mockup