Aparecida,SP, 07 (AE) - O Grito dos Excluídos reuniu cerca de sete mil pessoas no ato principal, segundo os organizadores, das 11h15 ao meio-dia no pátio da Basílica. Os organizadores consideraram a manifestação um sucesso. Foram 45 minutos de palavras de ordem contra a política econômica, o desemprego e a exclusão social. O manifestantes empunhavam bandeiras da romaria, da CUT e dos partidos PSTU e PT. O plebiscito do pagamento da dívida externa, sugerido pelo bispo d. Demétrio Valentini, foi muito aplaudido pela multidão.
Os romeiros fundiram a religiosidade com o protesto político sem nenhum constrangimento. O Sindicato dos Metalúrgicos de São José dos Campos, ligado ao PSTU, distribuiu 5 mil bandeirolas com os dizeres "Fora FHC e o FMI ", além de convocar a população para uma greve geral. Os militantes do partido de extrema esquerda distribuíram todas as unidades em menos de 30 minutos, na saída do Centro de Apoio ao Romeiro. " Junto com a CNBB queremos acordar a população para derrubar esse governo neoliberal", comentou o sindicalista Edmir Marcolino da Silva.
O casal Manoel e Amélia da Silva, de São Paulo, veio visitar o santuário e foi um dos primeiros a pedir um par de bandeirolas. " Estou favorável a saída deste governo ", confessou Manoel com a concordância da esposa. Logo a frente, o romeiro Gonçalves Ferreira, de Pindamonhangaba, desfilava com uma bandeira do guerrilheiro Che Guevara pelos corredores onde pessoas passeavam com camisetas do Padre Marcelo e estampas de santos católicos. " Temos que participar da luta para nos libertar da escravidão", comentava.
Uma série de pequenas bancas de camisetas com slogans revolucionários, livros políticos e religiosos, bonés e outros artigos foi montada perto do palco. Os produtos do MST chamaram a atenção dos visitantes. Em poucos minutos todas as camisetas e bonés haviam sido comprados, confirmando a sigla como um das mais poderosas grifes da esquerda. Algo contestado pelo militante do movimento, Pedro da Silva. " Quem procura pelas nossas coisas é quem tem simpatia pela causa", observava.
Dois grandes balões promocionais, um da CUT e outro do Grito dos Excluídos, ficaram presos na marquise da basílica. Enquanto isto, o espetáculo multicolorido dos manifestantes invadia a missa. Numa situação inusitada, o interior da igreja foi tomada pela bandeirolas do PSTU e causou tanta admiração que um padre co-celebrante do culto, sacou sua pequena máquina fotográfica da batina e passou a fotografar o cenário composto ainda por faixas com dizeres de protesto, imagens da santa, bandeirinhas do Brasil.
O desempregado Francisco de Assis mantinha um boton " Fora FHC" na camiseta oficial do Grito dos Excluídos. Ele veio de Rio Grande da Serra, São Paulo, e viajou durante toda madrugada para chegar no horário da manifestação. " Minha expectativa é que as pessoas daqui possam compreender que a religião não está longe da política", afirmou.
Essa também era a opinião do diretor nacional da Central de Movimentos Populares, Raimundo Bonfim. " Essa exclusão social e a marcha dos 100 mil trouxeram mais gente para o grito", avaliou.
O último ato do protesto foi a distribuição de cinco mil pães, que foram armazenados em grandes cestos. Mesmo sob o forte calor e o sol do meio-dia, as pessoas foram buscar seu pão cantando hinos religiosos e louvando Nossa Senhora Aparecida. O mesmo foi feito pelos outros manifestantes, que acabaram procurando abrigo nas sombras do prédio, mas deixaram a proteção para participar do ato simbólico pela solidariedade, contra a fome e a miséria.

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