Maceió, 16 (AE) - Cerca de 4 mil sem-terra participaram hoje à tarde de uma grande manifestação pela reforma agrária, em frente da Assembléia Legislativa de Alagoas, no centro de Maceió. Eles chegaram à cidade ontem (15) à tarde, vindos do interior do Estado em duas marchas, que percorreram mais de 250 quilômetros, em uma semana.
Os sem-terra protestaram contra a nova política agrária do governo e a não-punição dos responsáveis pelo massacre de 19 trabalhadores rurais em Eldorado dos Carajás, ocorrido em 1996.
As lideranças do movimento consideraram um avanço a mudança de Marabá (PA) para Belém, o local de julgamento dos envolvidos no massacre.
No início da manhã, os sem-terra saíram em passeata do campus da Universidade Federal de Alagoas (Ufal) - onde pernoitaram de ontem para hoje - até o centro da cidade.
Soldados da Polícia Militar e do Batalhão de Trânsito deram cobertura à passeata. A Cavalaria da PM foi dispensada. Portando bandeiras e gritando palavras de ordens contra o governo federal e o Fundo Monetário Internacional (FMI), os sem-terra percorreram cerca de 25 quilômetros da Ufal até o centro da cidade. No trajeto, eles pararam no terreno do Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama) para o almoço. A comida foi doada pelo governo do Estado
prefeitura de Maceió e uma rede de supermercados.
No inicio da tarde, os sem-terra reiniciaram a passeata, sempre em fila indiana, caminhando e cantando as músicas do movimento. Por volta das 17 horas, chegaram à Praça Pedro II, em frente da Assembléia, onde iniciaram um ato público, que contou com o apoio de entidades sindicais, partidos de esquerda e movimentos populares.
Os sem-terra ficam acampados na Praça Pedro II até o dia 1º, quando será realizado um outro grande ato contra o desemprego. Dez banheiros foram imnprovisados no local. Amanhã (17), eles participam de uma manifestação no Cemitério São José, onde pretendem acender velas em homenagem aos mortos de Eldorado dos Carajás.
"Vamos fazer o enterro simbólico do presidente Fernando Henrique Cardoso, que, com sua política atrelada ao Fundo Monetário Internacional, está matando o povo de fome", afirmou Reginaldo Pacheco, da direção do MST/AL. Segundo ele, o governo do Estado e a prefeitura garantiram alimentação durante toda a permanência dos sem-terra em Maceió. Segundo ele, durante o trajeto, não foi registrado nenhum incidente. "A PM apareceu de forma discreta, sem atrapalhar em nada a nossa marcha", garantiu. A PM colocou 1.500 homens de prontidão para acompanhar a passeata e evitar tentativa de saque. Na passagem pelo comércio, alguns lojistas fecharam as portas e outros aplaudiram os sem-terra.
Para o presidente da CUT/AL, o saldo positivo da marcha dos sem-terra foi o apoio da população alagoana, que tem demonstrado preocupação com a proliferação de favelas provocada pelo êxodo rural. "Só este ano, com o fiasco da safra de cana, mais de 300 mil trabalhadores ficaram desempregados em fevereiro", destacou Lima.

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