Londrina - O Calçadão de Londrina ganhou um colorido a mais na manhã de ontem. O motivo foi a manifestação ''Mais amor, por favor'', organizado por amigos e familiares do promotor de vendas Lucas Fernandes Ferraciolly, de 18 anos. Ele foi assassinado com um tiro na cabeça no dia 30 de novembro, dentro do carro, na área central de Londrina.
Aproximadamente 70 pessoas se reuniram em frente à Praça da Bandeira com faixas, cartazes, bexigas, fotos e apitos com o objetivo de exigir justiça pela morte do rapaz e respeito aos direitos de Lésbicas, Gays, Bissexuais, Travestis, Transexuais e Trangêneros (LGBT). ''Essa manifestação vem também com o intuito de mostrar que é só por meio de educação e cultura que se pode vencer o preconceito, prevenindo que outras mortes como a dele ocorram'', disse o empresário Matheus Pascheco, amigo da vítima.
Mesmo abalada com a morte do filho, a manicure Zeli Fernandes da Costa fez questão de participar da iniciativa. Ela disse que fará o possível para garantir que a morte do filho não fique impune. ''O Lucas era tudo de mais precioso que eu tinha. Uma pedaço de mim foi embora com ele'', disse a mãe, emocionada.
Passada uma semana da morte do filho, a manicure não conseguiu voltar para a casa e está morando com a irmã em Uraí (Norte Pioneiro). ''Estou criando forças para conseguir voltar, mas ainda é muito difícil. O Lucas era meu filho único, a alegria daquela casa.''
Em casa ou na companhia dos amigos, a personalidade empolgante e divertida de Ferraciolly é que fica na memória das dezenas de colegas que participaram do manifesto. Mas a morte brutal chamou a atenção e sensibilizou também quem não conhecia Ferraciolly, como o pastor Marcos de Lima, fundador da igreja ''Espaço Cristão Inclusivo'', fundado há cerca de um ano. ''Não toleramos o desrepeito com o ser humano, seja ele homossexual ou não'', ressaltou. ''Já passou da hora do Brasil criminalizar a homofobia. Não podemos mais esperar que outras vidas sejam ceifadas para tomar alguma providência.''
Lima é procurado para dar orientação espiritual a centenas de jovens, por isso disse ser comum ouvir relatos sobre preconceito. ''Eles, assim como eu, sofrem muito com a intolerância das pessoas à diversidade'', acrescentou o pastor, que já teve a casa depredada e continua sofrendo ameaças constantes motivadas pelo preconceito.
O suspeito de ter assassinado Ferraciolly, Welington Coelho da Silva, de 23 anos, se apresentou à Polícia Civil no dia 5, mas afirmou que não se lembrava do que havia acontecido. Após ser ouvido, o suspeito foi liberado.

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