A comemoração ontem do Dia Internacional de Luta contra as Barragens teve uma razão especial no Norte do Paraná. No ano passado, o Instituto Brasileiro do Meio Ambiente (Ibama) arquivou um processo para a construção de uma barragem no Rio Tibagi em São Jerônimo da Serra (78 km ao sul de Cornélio Procópio). Ontem pela manhã uma celebração de ação de graças na ponte do Tibagi, em Jataizinho (21 km a leste de Londrina), foi realizada pelo secretário do Meio Ambiente, padre Dirceu Fumagalli, e lembrou a vitória.
Fumagalli é assessor da Comissão Pastoral da Terra, que juntamente com a Associação Projeto Educação do Assalariado Rural Temporário (Apeart) promovem as comemorações desde 2001. ''O objetivo do trabalho, além de alertar a comunidade, é questionar o sistema hidrelétrico dado como única alternativa de energia'', destacou Fumagalli. No Brasil, 93% da energia consumida no país vêm das usinas hidrelétricas.
O secretário apontou que não é contra a construção das barragens, mas acredita que é preciso haver mais critérios para sua autorização. No Rio Tibagi, por exemplo, a Companhia Paranaense de Energia Elétrica (Copel) estuda a construção de quatro barragens. ''A análise de impacto ambiental não pode ser isolada, tem que ser feita em toda a bacia hidrográfica'', observou Fumagalli. Ainda segundo o secretário, é preciso ter um esforço para manter as hidrelétricas e não apenas construir novas.
Entre os prejuízos das barragens, Dirceu Fumagalli apontou que elas afetam a qualidade da água e a vida no rio. ''No caso do Rio Tibagi tem também um impacto histórico porque ele fez parte da ocupação do Norte do Paraná'', argumentou. Para retomar o projeto de construção das barragens a Copel terá que realizar um novo Estudo e Relatório de Impacto Ambiental (Eia/Rima).

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