Ato lembra importância de 'alimento insubstituível'
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sábado, 16 de agosto de 2014
Lucio Flávio Cruz<br> Reportagem Local 
Londrina O incentivo à amamentação e a doação de sangue, de medula óssea e de outros órgãos foram temas do ato público "Sou doadora de Vida" que movimentou a Concha Acústica, no centro de Londrina, na manhã de ontem. O evento contou também com um "mamaço" para sensibilizar a sociedade quanto à importância da amamentação e combater o preconceito contra mães que amamentam em locais públicos.
"Sempre quis amamentar, apesar disso não ser uma tradição na minha família. Nos primeiros dias há uma dificuldade, mas é temporária e vale muito a pena", relatou a assistente social, Poliana Amância, 29 anos, que fez questão de participar do evento e amamentar o filho Pedro, de dois meses. "Amamentar é um ato natural e não há nada de erótico. Já amamentei na rua, no restaurante, no supermercado com a maior tranquilidade", contou.
De acordo com Lilian Poli de Castro, coordenadora do Comitê de Aleitamento Materno (Calma) da Secretaria Municipal de Saúde, pesquisa realizada em 2010 mostrou que em Londrina o índice de mães que amamentam os filhos exclusivamente com aleitamento materno até o sexto mês é de 41%, valor similar a média nacional. "A Organização Mundial da Saúde avalia como muito bom quando este índice está entre 90% e 100%", frisou Lilian. "Quanto à proteção e defesa do bebê, o leite materno é insubstituível. A sociedade e as famílias precisam se conscientizar disso".
"Sempre dei muito apoio e apesar da dor que ela sentia no início tentava mostrar a importância da amamentação. Precisamos voltar às origens", apontou o marido de Poliana, o servidor público Edinei Aguiar Couto, 32 anos. O Banco de Leite Humano de Londrina arrecada mensalmente 200 litros de leite, apenas a metade do que é necessário para atender a demanda.
O evento, organizado pela Associação de Mulheres de Negócios e Profissionais de Londrina (BPW, na siga em inglês), disponibilizou um ônibus para a doação de sangue e realizou o cadastro para doação de órgãos.
Foi através da doação de sangue, que a vendedora Andréa dos Santos, 46 anos, conheceu o cadastro para doação de medula óssea e salvou a vida de um americano com câncer de medula. Como a sua médula era 100% compatível a coleta foi feita no Hospital Universitário (HU) e encaminhada aos Estados Unidos, através de um voluntário. "Não posso conhecê-lo, mas sei que ele está bem. É uma satisfação enorme de pode salvar uma pessoa", descreveu.
Caminho inverso fez Edmílson Andrade, 29. Diagnosticado com cardiopatia dilata congênita ele ficou cinco anos na fila de um transplante de coração. A cirurgia foi há dois anos, após receber o órgão de um jovem de 18, morador de Foz do Iguaçu. "Eu não conseguia amarrar o tênis e nem dar alguns passos. Hoje voltei a ter atividades normais, viajar e me alimentar de forma saudável", contou. Quatro meses após o transplante, Edmílson conheceu a noiva, Taís, de 20 anos, que está grávida de oito meses. O primeiro filho, Pedro Lucas, nasce em setembro, mês que acontece o casamento. "O coração novo ajudou ele a encontrar o amor", brincou a futura esposa.


