Ato lembra dia contra a violência sexual
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sábado, 17 de maio de 2014
Marian Trigueiros<br>Reportagem Local 
Londrina Várias entidades estiveram reunidas na manhã de ontem para lembrar o Dia de Combate ao Abuso e à Exploração Sexual, cuja data, 18 de maio, marca a morte da menina Araceli Cabrera Sánchez Crespo, que foi brutalmente assassinada após ser violentada e abusada sexualmente em 1973, na cidade de Serra (ES), quando tinha apenas 8 anos de idade. Além de atividades culturais, o Encontro "Diga Não à Violência Sexual Contra a Criança e o Adolescente" teve manifestos e coleta de assinaturas para a criação de uma Vara Criminal específica para atender casos que envolvam crianças e adolescentes. Hoje, na comarca de Londrina, assuntos dessa natureza são tratados pela Vara Maria da Penha.
Segundo Ligia Fukahaki, psicóloga do Centro de Referência Especializado de Assistência Social (Creas 3), em Londrina, um levantamento realizado na cidade mostra que dos 1.216 casos atendidos somente este ano, 58% são referentes à violência sexual contra crianças e adolescentes. "Logo em seguida vêm os casos de agressão física, com 23%, e negligência e situação de risco, com 6%", completa. Do total de casos de violência sexual, 43% foram realizados pelos genitores. "E 62% foram intrafamiliar, ou seja, de entes da própria família. Por isso, é importante divulgar informações para que a criança saiba identificar quando foi violentada e não ceder às chantagens do agressor."
Os números vão de encontro a uma pesquisa feita este ano com dados de 83% dos Conselhos Tutelares de todo o País. Os dados revelaram que pais e mães são responsáveis por metade dos casos de violações aos direitos das crianças e adolescentes, como maus tratos, agressões, abandono e negligência. "Precisamos sensibilizar toda a população, sobretudo as famílias (pais, avós, tios), para terem um olhar mais apurado com o comportamento das crianças e identificar suspeitas de abuso de adultos em relação a ela. A maior dificuldade ainda é quebrar com o pacto de silêncio que existe dentro das famílias. Abuso é crime e deve ser denunciado", alerta a presidente do Conselho Municipal dos Direitos das Crianças e do Adolescentes, Nanci Skau Kemmer de Moraes.
A criança, de acordo com ela, deve ser orientada para que não deixe ninguém tocar seu corpo e, ao mesmo tempo, a sociedade precisa oportunizar espaços para que o tema seja tratado. "A conscientização deve ser constante e as escolas e professores têm papel fundamental nesse processo. Violência sexual não acontece somente na periferia, mas em todas as classes." Por este motivo, de acordo com a presidente, um grande obstáculo ainda enfrentado pelos órgãos é com relação às denúncias das escolas privadas. Estimativas apontam que, para cada 100 notificações de escolas públicas do município, apenas duas são de particulares.
VÍTIMA
Aos 18 anos, Amanda (nome fictício), é uma das vítimas de violência sexual sofrida dentro de casa. Com apenas 9 anos, já sentia olhares e toques diferentes do ex-padrasto, pai de sua irmã. "Ele sempre me ofendia com palavras e tratamento agressivo. Quando vinha conversar, dava um jeito de colocar a mão em mim. Até que, aos 12 anos, quando estávamos sozinhos em casa, ele me abordou na cama. Ficou se encostando e tocou em várias partes do meu corpo, inclusive nos seios. Consegui fazer com que ele parasse e nada pior aconteceu. Mas, depois disso, evitava ficar ao lado dele", lembra. Com medo, não contou a ninguém. Nesse tempo, a irmã também foi vítima do pai. Até que, um dia, há cerca de três anos, compartilhou com as primas e a notícia chegou à mãe. Neste período, a jovem começou acompanhamento psicológico no Creas e diz que ainda tenta superar a falta de confiança nas pessoas, principalmente, nos homens.
SERVIÇO
Denúncias podem ser feitas pelos telefones 125 ou 100 ou no Núcleo de Estudos e Defesa dos Direitos da Infância e Juventude (Neddij): 3344-0927


