Representantes de ONGs que lutam contra a Aids, grupos católicos e o coordenador do Programa DST/Aids da Secretaria Estadual de Saúde reuniram-se ontem com o arcebispo de São Paulo, dom Cláudio Hummes, para pedir a retirada da punição ao padre Valeriano Paitoni, que defendeu o uso de preservativo. ‘‘Um sacerdote precisa pregar a palavra da Igreja, ele se comprometeu com isso’’, disse o arcebispo, que pretende conversar com o padre antes de tomar uma decisão.
O padre Valeriano, que dirige instituições de apoio a 22 crianças e 11 adultos portadores do vírus HIV, deu declarações públicas nesta semana a favor do preservativo para evitar a Aids. Dom Cláudio emitiu uma nota informando que a Igreja tomaria as providências administrativas necessárias.
Um vídeo elaborado pelo padre Valeriano foi mostrado ontem para cerca de cem pessoas que participaram de um ato público em seu apoio, na frente da Cúria Metropolitana, onde aconteceu a reunião. ‘‘Padre Valeriano é um parceiro na luta contra a Aids’’, disse o coordenador do Programa DST/Aids, Artur Kalichman. Segundo ele, 38 mil novos casos da doença no Brasil foram evitados no ano passado pelo uso de preservativos.
Essa discussão começou num encontro realizado no mês passado pela Pastoral da Saúde, em Indaiatuba, onde o representante do papa João Paulo II, monsenhor Javier Lozano Barragán, disse que o uso da camisinha contraria as diretrizes do Vaticano para os fiéis.

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