Ato em Curitiba reforça Lei Muwaji
PUBLICAÇÃO
quinta-feira, 17 de julho de 2008
Andréa Lombardo<BR>Equipe da Folha 
Curitiba - Uma manifestação popular realizada, ontem, em Curitiba, reforçou a mobilização nacional que pede a votação do projeto de lei nº 1057. A Lei Muwaji, como foi batizada a proposta, dispõe sobre o combate ao homicídio de crianças indígenas -prática tradicional de algumas etnias, principalmente, da região Norte do País, quando o recém-nascido apresenta alguma deficiência. Os manifestantes se reuniram na praça em frente ao Palácio Iguaçu, onde fixaram cruzes, simbolizando as mortes de, pelo menos, 200 crianças indígenas, nos últimos 12 meses: tempo em que o projeto está parado na Câmara dos Deputados, em Brasília. O infanticídio não faz parte da cultura das etnias do Paraná.
Do Centro Cívico, os manifestantes saíram, em passeata, até a Boca Maldita, no centro da Capital, onde foi exibido o documentário ''Hakani''. O filme retrata a história de uma indiazinha que nasceu com hipotireoidismo (doença que afeta o desenvolvimento de recém-nascidos). Os pais se suicidaram por causa da deficiência da filha e a tribo a rejeitou. O irmão cuidou dela até ser adotada por um casal de missionários. O video pode ser assistido na internet (www.hakani.org).
Para um dos organizadores do manifesto em Curitiba, Marcelo Cidade de Moura, a Lei Muwaji vem em apoio às mães indígenas que querem salvar seus filhos. Segundo ele, alguns antropólogos e a própria Fundação Nacional do Índio (Funai) são contrários à lei e defensores da tradição indígena. ''A questão cultural é dinâmica nas sociedades civilizadas. Há mudanças de cultura com o passar do tempo'', afirmou Moura.
O indigenista da Funai, em Curitiba, Edívio Battistelli, confirmou que a ''eliminação dos anômalos'' é, sim, uma prática comum, principalmente, nas tribos mais isoladas. Os índios que se aproximaram mais de outras comunidades -como é o caso das etnias paranaenses- assimilaram uma cultura de proteção por influência ocidental. ''Mas, não nos compete intervir na praxis cultural dos índios'', acrescentou ele. Pelo menos, 13 etnias nacionais praticam o infanticídio.


