Ato em Curitiba pede fim da repressão
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sexta-feira, 02 de junho de 2000
Michele Muller e Dimitri do Valle De Curitiba 
Um basta à repressão policial contra os movimentos sociais. O pedido foi defendido ontem em Curitiba no ato público que reuniu partidos de oposição, entidades sindicais, estudantes e o Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST). O dia também foi marcado pelas homenagens em memória do agricultor Antônio Tavares Pereira, morto há um mês, em confronto com a Polícia Militar em Campo Largo, Região Metropolitana de Curitiba.
A concentração dos manifestantes começou por volta das 8 horas no Parque Barigui. Em marcha, eles se dirigiram para a Catedral Basílica Metropolitana, onde houve uma celebração religiosa e foi servido o almoço. O MST queria marcar sua entrada em Curitiba, onde não pôde chegar há um mês quando sem-terra foram barrados pela PM na BR-277. O protesto acabou na Boca Maldita no final da tarde com o lançamento de um apelo nacional contra a violência.
As entidades acusam, no manifesto, o presidente Fernando Henrique Cardoso de espezinhar a democracia. No documento, o Fórum Nacional de Luta por Trabalho, Terra e Cidadania, que reúne partidos políticos e sindicatos, justificou que a tensão no País é grande porque o governo não apresenta soluções para o povo brasileiro.
O fórum pediu a extinção da famigerada Lei de Segurança Nacional que há duas semanas foi usada no Paraná contra integrantes do MST. O presidente da Central Única dos Trabalhadores (CUT) no Paraná, Roberto Von der Osten, disse que a principal razão do protesto é oferecer à população uma reflexão sobre o neoliberalismo. Queremos mostrar a todos que esse modelo de Estado não serve para a sociedade e que o caminho da privatização não é o ideal, disse.
Para o senador Roberto Requião (PMDB), presente à manifestação, a culpa pela instabilidade no Brasil é do modelo econômico adotado por FHC. Na última década, o País cresceu 7%, enquanto o Chile apresentou um crescimento de 250%.
O presidente nacional do PT, José Dirceu, defendeu durante o ato o aumento no número de assentamentos e maior apoio do governo à agricultura familiar. O senador Eduardo Suplicy considerou natural a onda de manifestações no País. Na medida em que temos altos índices de desemprego, isso se torna natural. Além da questão da privatizações e da reforma agrária, os manifestantes levaram às ruas o pedido de reajuste salarial dos funcionários de instituições de ensino no Paraná. Os professores em greve de fome desde terça-feira na Casa do Jornalista receberam uma visita de solidariedade dos manifestantes.


