Presidente Prudente, SP - A ministra Emília Fernandes, da Secretaria Especial de Política para as Mulheres, fez eco à senadora Heloísa Helena (PT/AL), ontem, para cobrar mais pressa do governo Lula na reforma agrária. Discursando em palanque montado na frente da catedral de Presidente Prudente, a 580 quilômetros de São Paulo, durante ato do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST) contra prisões de seus líderes, a ministra endossou a cobrança da senadora, para quem o governo não está fazendo a reforma. ''Temos que pedir pressa, sim, porque a fome do povo não espera.''
A demora na reforma agrária foi criticada também pelos deputados João Batista Araujo, o Babá (PT/PA), Luciana Genro (PT/RS) e Adão Branco (PT/RS), que compõem com Heloisa a ala radical do partido do governo. Na entrevista, a ministra reiterou que a reforma agrária ''precisa ser acelerada com urgência'', mas disse que o governo ainda precisa de tempo para que seja feita da forma adequada. ''Não vamos brincar de fazer reforma agrária como foi a farsa do governo anterior, que jogou o povo no campo sem estrutura.''
A senadora e os deputados participaram, com lideranças do MST, da marcha de mulheres realizada em Presidente Prudente em repúdio às prisões de seus militantes decretadas pelo juiz de Teodoro Sampaio, Atis de Araujo Oliveira.
O protesto reuniu cerca de 800 militantes recrutadas nos acampamentos e assentamentos do Pontal. A marcha percorreu 1,2 quilômetro da Rodovia Assis Chateaubriand, que teve uma pista interditada pela Polícia Rodoviária, e entrou na cidade pela Avenida Coronel Marcondes. Os manifestantes levavam faixas pedindo a liberdade para os presos José Rai© nha Júnior e Felinto Procópio dos Santos, recolhidos na Penitenciária de Dracena, e Diolinda Alves de Souza, mulher de Rainha, presa em Piquerobi. Pediam também a revisão das condenações de outros nove líderes do MST, todos acusados de formação de quadrilha, que estão foragidos.
O MST levou ao fórum um documento endereçado aos juízes e promotores do Pontal, propondo ao Judiciário um pacto pela paz, condicionado à libertação dos militantes presos. O documento reconhece ainda que o movimento cometeu erros no passado, mas considera seus integrantes, não réus, mas vítimas da omissão do Estado.
Na Catedral, os manifestantes entregaram flores e cestas de produtos ao bispo dom José Maria Liborio. Ao dar a bênção aos sem-terra, o bispo disse que a Igreja está comprometida com a solução dos problemas sociais.
O coordenador nacional do MST, João Paulo Rodrigues, disse que os petistas estão corretos em cobrar pressa do governo. Segundo ele, o presidente já teve o prazo que pediu para azeitar a máquina e compor os quadros do governo. O dirigente nacional Gilmar Mauro criticou o governo do Estado por não estar arrecadando terras no Pontal. ''Isso estimula o conflito.''

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