Agência EstadoConfidênciaO advogado Ramalho conversa com Pádua no tribunal

O descumprimento das normas judiciais feito pela senadora do PT Benedita da Silva pode prejudicar a acusação no caso Daniella Perez. O advogado Paulo Ramalho, defensor de Guilherme de Pádua, que está sendo julgado pelo assassinato da atriz Daniella Perez, ele e a ex-mulher Paula Thomaz são acusados do crime, vai pedir oficialmente hoje ao juiz José Geraldo Antônio, a impugnação do testemunho da senadora.
A parlamentar foi arrolada como testemunha e com a suspensão da audiência para que os envolvidos descansassem na noite de anteontem, deveria ficar incomunicável como os demais: juizes, promotores, advogados e jurados. A senadora, entretanto, concedeu uma entrevista pelo telefone celular a uma revista. Segundo Ramalho, ‘‘como testemunha convocada pela acusação, Benedita teria de ficar incomunicável’’. Benedita teria sido entrevistada para falar sobre outro assunto.
Ramalho avisou que pedirá a impugnação primeiro à acusação e em seguida, ao juiz José Geraldo Antônio, do 2º Tribunal do Júri, que preside o julgamento. ‘‘Se o juiz negar, ele vai estar me dando uma anulação de presente’’, afirmou o advogado, antecipando que, se Benedita fosse ouvida, ele tentaria invalidar o resultado do júri. O anúncio foi feito durante a leitura de 52 depoimentos transcritos no processo, a pedido dos promotores José Pi¤ero Mui¤oz e Maurício Assayag.
O advogado Paulo Lavigne, assistente da acusação, disse que Benedita poderia ter dado a entrevista. ‘‘A testemunha não pode é ouvir o debate entre acusação de defesa e outros depoimentos’’, declarou. Para Lavigne o pedido de Ramalho ‘‘é um jogo de cena’’.
A senadora foi convocada pelos promotores por ter convencido o frentista Antônio Clarete a depôr no processo. Clarete, funcionário do Posto Nova Ipanema, na Barra da Tijuca, diz ter lavado o estofamento do carro de Guilherme, sujo de sangue, no dia do crime, com uma mistura de água, querosene e solvente.
O depoimento de Clarete já havia motivado o pedido de suspensão do julgamento no primeiro dia de audiência, porque o legista Mauro Ricart havia dado de manhã entrevista à TV dizendo que o sangue não poderia ter sido totalmente retirado dos assentos, e faltou à convocação para comparecer ao processo, como testemunha convocada pelo juiz.
DispensasRicart foi dispensado anteontem, e ontem outras quatro testemunhas foram liberadas antes da sessão recomeçar. Ramalho autorizou a dispensa dos delegados Cidade de Oliveira, Mauro Magalhães e Antônio Serrano, por não considerá-los tão importantes e não haver acomodação para eles no prédio do 1º Tribunal do Júri, onde acontece a sessão. A promotoria pediu a dispensa da cabeleireira do estúdio Tycoon, Luana Fátima Jacob.
Durante a leitura dos depoimentos, pedida pelos promotores, Pádua fez uma expressão de desaprovação ao ouvir o testemunho do ator Maurício Mattar. Segundo Mattar, na temporada da peça Blue Jeans, na qual os dois se conheceram, o acusado pelo assassinato de Daniella em 1992 havia demonstrado temperamento violento.
O segundo dia de julgamento começou às 11 horas - duas horas depois do previsto. Segundo Ramalho, o motivo foi o atraso dos promotores, que não pernoitaram no prédio do Tribunal, como ele. O advogado de Pádua pediu a dispensa das testemunhas durante a noite. Após chegar, a acusação ainda teve de ser informada que três policiais não iriam mais depôr.
Assayag disse ontem que não há nada nas provas do processo que apóiem o testemunho dado anteontem por Pádua. No depoimento, ele acusou a ex-mulher e também ré, Paula Thomaz, de perfurar 16 vezes o corpo de Daniella, e afirmou ter tido um caso com a vítima. ‘‘Tenho certeza de que os dois são culpados’’, disse o promotor. O irmão de Glória Perez, Saulo Ferrante, disse que o testemunho foi ‘‘inverídico e inverossímil’’. O julgamento prossegue hoje e deve durar até amanhã.

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