Foz do Iguaçu - A Ponte da Amizade será palco, hoje, para as atividades na tríplice fronteira (Brasil, Paraguai e Argentina) que marcam a primeira edição do Dia Mundial contra o Trabalho Infantil. O manifesto em Foz do Iguaçu segue modelo da Organização Internacional do Trabalho (OIT), que oficializou a data mundial ontem num ato promovido em Genebra (Suíça).
Os manifestantes fecharão a fronteira durante três minutos para chamar atenção das autoridades e comunidade sobre o problema. Também estão programados a soltura de balões, pombas brancas, atividades culturais e até sobrevôos de dois aviões que levarão faixas com mensagem ''por uma tríplice fronteira livre da exploração sexual comercial infanto-juvenil'', escrita em português e em espanhol.
Em Foz, Puerto Iguazú e Ciudad del Este são 3,5 mil explorados sexualmente, segundo a Central de Notícias dos Direitos da Infância e Adolescência (Ciranda), parceira da OIT na luta pela erradicação. No Brasil, são 100 mil. Em todo o mundo, são 246 milhões de meninos e meninas, de 5 e 17 anos, em diferentes situações de risco. Destas, 179 milhões estão ligadas ao trabalho degradante.
Para tentar reverter essa realidade até junho de 2004, será assinado um termo de compromisso. Endossam o documento os prefeitos de Foz, Sâmis da Silva (PMDB); de Ciudad del Este, Ernesto Javier Zacarias Irún; e de Puerto Yguazú, na Argentina, Timoteo Llera. Em 18 maio, o município sediou um fórum que resultou numa carta de compromisso envolvendo dezenas de setores da sociedade.
''A meta para 2004 só será possível com a mobilização, a colaboração e a solidariedade de cada cidadão e de todos os governantes, irmanados na luta pelo resgate e pela dignidade da infância'', argumenta Isa Ferreira, coordenadora do Programa de Eliminação da Exploração Sexual Comercial de Crianças e Adolescentes na Tríplice Fronteira (OIT/IPEC).
A primeira edição do Dia Mundial contra o Trabalho Infantil tem como tema o tráfico de crianças que, conforme estimativas da OIT, atinge perto de 1,2 milhão de crianças. O organismo quer prevenir esse crime dando apoio às crianças e às famílias, criando fontes de renda, incentivando a permanência na escola e orientando os pais.

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