Atletas ganham força muscular com bola suíça
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domingo, 11 de maio de 2008
Chiara Papali<br> Reportagem Local 
Sentar, deitar, agachar, levantar pernas e pés são movimentos muito simples. Mas experimente fazer tudo isso em cima de uma bola gigante. Impossível? Utilizada para melhorar a postura e tratar sequelas de acidente vascular cerebral (AVC), a fisioterapia com bola suíça vem ganhando espaço na área desportiva, turbinando o condicionamento físico de atletas. Quem explica é o fisioterapeuta João Douglas Gil, professor da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp). Ele esteve em Londrina no último fim de semana ministrando o curso ''Therapy and Exercise Ball - Da Reabilitação ao Treinamento'', para profissionais e estudantes de fisioterapia.
Segundo Gil, é justamente o fato da bola ser um estrutura instável que se torna uma ferramenta útil para trabalhar o equilíbrio e aumentar a força muscular. Para os atletas, a técnica se torna especialmente útil porque uma musculatura melhor definida, além de melhorar a performance, significa mais proteção dos ligamentos contra as lesões. Não é à toa que a técnica com bola foi agregada ao treinamento do time de base do Corinthians como forma de prevenção de lesões (leia texto ao lado).
Chamado de treinamento funcional, a idéia da utilização da fisioterapia com bola no esporte é reproduzir gestos esportivos em cima da bola. ''Imagine um agachamento com peso nas costas. Na bola, você ainda tem que manter o equilíbrio e a coordenação, o que solicita muito mais fibras musculares e o desenvolvimento maior do controle fino da coordenação'', exemplifica Gil. Isso ainda possibilita, segundo o fisioterapeuta, a utilização de pesos menores, porque na bola é como se a carga fosse maior.
A terapia funciona como um treino para a articulação, que fica mais protegida pela musculatura, e preparada para receber as cargas típicas de uma competição esportiva. ''Além disso melhora o condicionamento cardiorrespiratório e a consciência corporal'', aponta o fisioterapeuta, que foi atleta da seleção brasileira de judô entre as décadas de 80 e 90, e buscou nessa técnica uma forma de melhorar a performance.
Segundo o fisioterapeuta Fernando Nampo, professor da Unifil, para os atletas a técnica pode ser usada tanto na prevenção, quanto na fase final da reabilitação. ''Ela não deve ser usada como terapia única, mas permite trabalhos que em outras superfícies não se conseguiria um nível tão avançado'', afirma.
Outro aspecto interessante da técnica, segundo Gil, é o desafio que o exercício na bola traz, possibilitando também trabalhar o lado emocional. ''É um desafio, que traz medo nos primeiros dias, mas que você consegue vencer, com um trabalho planejado e organizado'', afirma. Ele conta que nos cursos que ministra a profissionais e estudantes o medo também está presente, mas ao final do curso, com a técnica aprendida, os alunos conseguem até ficar em pé na bola.
A bola suíça também traz a possibilidade do trabalho em equipe ou em dupla, fundamental no esporte, em que é preciso todos se ajudarem, pois se um desequilibrar, os outros caem. ''São pequenas conquistas que fazem o paciente vencer o medo e aumentar a auto-confiança. Um tratamento com a bola também é mais lúdico, descontraído e divertido'', ressalta.
Além do trabalho de conscientização corporal, de ganho de força, e melhora da coordenação motora e equilíbrio, o uso da bola, segundo o fisioterapeuta, também é extremamente interessante para a prevenção de problemas posturais. ''Ao sentar na bola, automaticamente já assumimos uma melhor postura'', afirma a estudante de fisioterapia Etienne Duim Nardini, que já fez o curso. ''A estrutura instável é um estímulo maior para reorganizar a postura'', completa Gil.


