Ativistas pressionam por verbas para garantir direito de ciclistas
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domingo, 09 de fevereiro de 2014
Lúcio Flávio Moura<br>Reportagem Local 
Londrina O uso da bicicleta como veículo de deslocamento de estudantes e trabalhadores deve ser garantido a partir de investimentos específicos e progressivos do poder público, especialmente nos orçamentos municipais. A ideia é defendida pela Associação de Ciclistas do Alto Iguaçu, a Cicloiguaçu, associação que congrega 150 ciclistas na Região Metropolitana de Curitiba e que é uma das organizadoras do 3º Fórum Mundial da Bicicleta, evento marcado para a capital do Estado nesta semana.
Ontem pela manhã, no salão social do Sesc da Rua Fernando de Noronha, no centro de Londrina, ocorreu um debate preparatório para o fórum, que será realizado de quinta a domingo (nas dependências da reitoria da Universidade Federal do Paraná e no Sesc Paço da Liberdade, entre outros lugares), promovido pelo Instituto de Pesquisa e Planejamento Urbano de Londrina (Ippul).
"O poder público tem que inserir a bicicleta na pauta política. Não basta o cidadão despertar e aderir ao transporte não-motorizado. Ele precisa ter segurança e estrutura para circular, para levar o filho na escola ou para ir ao trabalho de bicicleta", defende o ativista Jorge Brand, palestrante que está percorrendo as principais cidades do interior para divulgar o fórum.
A Cicloiguaçu é difusora da chamada cultura da bicicleta que reivindica o combate à falta de respeito e à violência no trânsito e "uma cidade voltada para o ser humano", em contraponto à cultura do carro. "Precisamos repensar o espaço público urbano. A cidade é uma construção humana e política. A gente pode mudá-la se mudarmos nossa mentalidade", defende Brand, conhecido também como Goura.
O fórum deve discutir também a necessidade de convergência das rotas de transporte coletivo com o transporte não-motorizado. A Cicloiguaçu aposta em algumas ideias como o uso compartilhado de bicicletas disponíveis nos terminais de ônibus convencionais ou de linhas rápidas como os BRTs.
Nesta modalidade, o usuário paga a tarifa do transporte coletivo e pode usar uma bicicleta para completar o trajeto e chegar em casa. Outra ideia é limitar, de forma extrema, a velocidade dos carros nas áreas centrais das grandes e médias cidades, com limite de 30 quilômetros por hora. "Neste ritmo, bicicleta e carros podem conviver sem um risco de acidente sério. Isso já é aplicado em algumas cidades do mundo.
A ampliação da rede de ciclofaixas e ciclovias e uma sinalização informativa mais eloquente em relação ao respeito aos ciclistas também são bandeiras das entidades que defendem os deslocamentos com veículos não-motorizados.
Em Londrina, são apenas 17 quilômetros de vias exclusivas para bicicletas. A intenção é que a malha alcance 100 quilômetros nos próximos anos, caso seja aprovado o repasse de verba pelo Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID). Em Curitiba, são 120 quilômetros de ciclovias e ciclofaixas com a promessa de implantação de mais 300 quilômetros ainda nesta década.
O urbanista Carlos Augusto da Silva, assessor técnico do Ippul, será o representante da prefeitura de Londrina no evento internacional. "Hoje nós temos que discutir a questão da mobilidade não apenas como algo relativo ao tráfego. É algo mais profundo. A mobilidade está ligada ao que queremos fazer com nosso espaço público. Temos que nos apropriar dele para que ele seja mais amigável", opina Silva. "O grande desafio dos gestores públicos é integrar de forma inteligente todos os meios de transporte no espaço público, inclusive a bicicleta", afirmou.


