Curitiba - A Coordenação dos Movimentos Sociais (CMS) lançou ontem a Campanha pela Libertação dos Presos Políticos do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem-Terra (MST) no Paraná. A questão envolve, na verdade, três trabalhadores rurais sem-terra da região de Guarapuava que, segundo o MST, estão presos há oito meses sem razão.
O movimento alega que não há motivos concretos para que os três agricultores respondam o processo na prisão, porém a Justiça estadual já negou várias vezes o pedido de liberdade. Dois são acusados de tentativa de homicídio e o terceiro de ter cometido homicídio. No próximo dia 17, a CMS, o MST e outras entidades devem fazer uma marcha em Guarapuava pedindo pela libertação dos sem-terra.
De acordo com o MST, dois dos ''presos políticos'', Marciano Zanrosso e Ademir Veiga, estavam acampados dentro de um assentamento, em Guarapuava, quando pistoleiros, em cinco carros, passaram atirando contra as cerca 270 famílias de sem-terra. Porém, os dois foram acusados de efeturar os disparos. Na ocasião uma mulher ficou ferida e, segundo o coordenador estadual do movimento, Edson Bagnara, ela disse em seu depoimento que os dois não são culpados. No segundo caso o trabalhador rural Ivaldino Simões Rodrigues, deste mesmo assentamento, estava colhendo sua plantação, junto com outros membros do MST, na fazenda vizinha ao assentamento. Por eles estarem fazendo a colheita um dia depois do combinado, pistoleiros aboradaram os agricultores e na confusão um dos capangas da fazenda morreu.
''Ficou comprovado que a arma que entregaram para a polícia não foi a que matou o pistoleiro. Além disso não tinha sinais de pólvora nas mãos do Ivaldino'', afirmou a advogada da Organização Não Governamental (ONG) Terra de Direitos, Luciana Bivato. Segundo ela, não há provas concretas contra os outros dois presos também. Vários pedidos de liberdade provisória foram negados pela Justiça Estadual de Guarapuava e também pelo Tribunal de Justiça (TJ), em segunda instância. ''O principal argumento usado pelo Justiça é que eles devem permanecer presos para a garantia da ordem pública. Porém a lei diz que só se pode manter alguém preso por essa razão se houver indício concreto de prejuízo para a ordem pública, o que não é o caso'', justificou Luciana.
A Folha entrou em contato com a Justiça estadual em Guarapuava, porém não conseguiu falar com os juízes das varas criminais que decidiram pela continuidade da prisão dos sem-terra. Já a assessoria do TJ informou que o desembargador que negou o pedido de habeas corpus não estava no Tribunal ontem.
A Secretaria Estadual de Segurança informa que os três agricultores são acusados de homicídio. Além disso, Rodrigues responde por receptação e porte ilegal de arma; Veiga, por lesão corporal e sequestro; e Zanrosso por lesão corporal.

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