Ativistas pedem área da Monsanto
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quinta-feira, 01 de fevereiro de 2001
Agência Estado De Porto Alegre 
O governador Olívio Dutra recebeu ontem, no Palácio Piratini, sede do governo gaúcho, o líder camponês José Bové e Rafael Alegria, do movimento internacional Via Campesina. Os ativistas querem que o governo do Estado desaproprie a área da empresa Monsanto, alegando interesse social, para que seja transformada no Centro Experimental de Agricultura Orgânica da Via Campesina.
Bové falou aos jornalistas que se for preciso vai reivindicar sua liberdade. Isto é uma questão de política internacional; eu não sei o que se passa na cabeça dos governantes brasileiros, afirmou, antes de entrar na reunião.
Anteontem à noite o presidente do Tribunal Regional Federal (TRF) da 4ª Região, Fábio Bittencourt da Rosa, recebeu o mandado de segurança redigido pela Advocacia Geral da União para tentar derrubar o habeas-corpus que suspendeu a decisão da Polícia Federal de exigir a saída de Bové do Brasil até a meia-noite de ontem. O juiz considerou que este não é um caso de urgência e concedeu despacho determinando a distribuição do processo ontem a um dos três juízes da Turma de Férias, que atua no TRF durante o período das férias forense.
A detenção do líder camponês, devido a uma ação militante coletiva, foi simbólica de um direito de cidadania mundial a se construir, comentou ontem Guy Hascoet, secretário francês de estado da economia solidária.
Hascoet participou nas múltiplas conversações que permitiram finalmente evitar a expulsão de Bové do Brasil, nas quais assinalou que as medidas contra ele eram desproporcionais, pois nas ações haviam participado mais de cem pessoas, entre elas muitos estrangeiros.
Segundo Hascoet, somente Bové foi detido porque é um símbolo. O Fórum Social Mundial de Porto Alegre permitiu não apenas denunciar a legislação atual que não favorece o setor solidário mas sobretudo ajudar na emergência de embriões de organizações que permitirão hierarquizar as prioridades e no final estabelecer outras normas.
José Bové acompanhou 1.300 membros do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST) que foram a um laboratório da empresa Monsanto para destruir culturas experimentais de soja e milho transgênicos.


