Ativistas do Greenpeace e índios iniciam semana de mobilização
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terça-feira, 01 de outubro de 2013
Agência Brasil 
Um grupo de ativistas da organização não governamental Greenpeace e índios de diversas etnias iniciaram nesta terça-feira (1º) a semana de Mobilização Nacional Indígena com um protesto pacífico no mastro da Bandeira Nacional, na Praça dos Três Poderes. Seis ativistas da ONG escalaram o mastro e estenderam uma faixa com o rosto de um indígena, a 70 metros de altura, e outra, a 50 metros de altura, com a frase Nossos Bosques Têm Mais Vida. O mastro tem 100 metros de altura.
"O Greenpeace está aqui para prestar solidariedade à luta dos indígenas pela garantia de seus direitos e pela garantia da terra, devido ao ataque que a bancada ruralista vem articulando na tentativa de diminuir os direitos conquistados pela população indígena na Constituição de 1988", disse o coordenador da campanha Amazônia do Greenpeace Brasil, Rômulo Batista.
Cerca de 200 índios cantaram ao pé do mastro protestando contra a PEC 215, que está em tramitação desde 2000. A proposta retira do Poder Executivo a atribuição exclusiva de homologar terras indígenas. Conforme o texto, o Congresso Nacional passa a ter competência para aprovar a demarcação das terras tradicionalmente ocupadas pelos índios e ratificar as demarcações homologadas.
Segundo o coordenador do Movimento Indígena da Bahia (MIB), Zeca Pataxó, os índios estão reunidos para dizer não à PEC 215. "Sabemos que se a demarcação de terras ficar com o Congresso, não terá mais terra demarcada para os índios por causa da bancada ruralista", disse.
Uma das coordenadoras da Articulação dos Povos Indígenas do Brasil (Apib), Sonia Guajajara, do Maranhão, explicou que o ato marca o início da semana de mobilização e luta em defesa dos direitos territoriais dos povos indígenas. "Estamos colocando a cara indígena em Brasília. Ainda há uma grande demanda de terras a serem demarcadas em vários estados. Isso traz um clima de insegurança para os povos indígenas e também incita os conflitos agrários", disse.
O protesto foi acompanhado por dois policiais militares e 12 homens do Corpo de Bombeiros para o caso de algum ativista do Greenpeace cair do mastro. "Não há crime nenhum. A Bandeira Nacional está incólume, não foi danificada", disse o tenente-coronel Gouveia, da Polícia Militar, que pediu aos índios que não apontassem arco e flecha para os policiais.


