Ativistas chegam para fórum em Mumbai
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sexta-feira, 16 de janeiro de 2004
France Presse 
Mumbai - Clamando que''outro mundo é possível'', monges budistas, camponeses brasileiros, ''intocáveis'' hindus e feministas mexicanas viajaram a Mumbai (oeste da Índia) para a reunião anual mais importante da sociedade civil alternativa, nascida no Brasil há três anos. O Quarto Fórum Social Mundial (FSM), realizado na Ásia pela primeira vez, será aparentemente ''mais radical'' que os três anteriores organizados em Porto Alegre, pois será sediado em um dos países onde o contraste entre ricos e pobres é mais significativo, segundo ativistas.
Além disso, o contexto internacional está mais sombrio, com a ocupação do Iraque e a paralisação do processo de paz no Oriente Médio. Um dia antes da inauguração do encontro anual, que começa hoje e prossegue até quarta-feira na capital econômica indiana, 76 mil emissários e ativistas se inscreveram para participar, assim como 3 mil jornalistas, informou o porta-voz, Gautam Mody.
Em janeiro de 2003, o número de participantes do Terceiro FSM, organizado, como os dois anteriores, na cidade sulista de Porto Alegre, chegou a 100 mil. ''As inscrições estão abertas até sexta-feira (hoje). Em consequência, prevemos que o Fórum de Mumbai superará este número, e atrairá cerca de 120 mil pessoas'', afirmou o porta-voz.
Depois da Índia, o país que envia mais delegados a Mumbai é o Brasil, com cerca de 5.800 inscritos. Em seguida vem a Alemanha, com mais de 2 mil representantes, e a França, com 1.300 inscritos, informou a fonte. Estima-se que os demais países da América Latina enviem a Mumbai entre 400 e 500 emissários.
O principal motivo desta presença reduzida é o alto custo da passagem à Índia, que, partindo desta região, chega a US$ 1.800, explicaram participantes mexicanos e equatorianos.
O principal objetivo do Primeiro Fórum de Porto Alegre foi se opor, ou pelo menos excercer um contrapeso, à reunião dos poderosos do planeta, o Fórum Econômico Mundial, organizado a cada ano em Davos, na Suíça. Três anos depois, o FSM já não se refere mais a Davos, e seu principal desafio é, paradoxalmente, se globalizar. ''O principal desafio deste ano era incorporar a Ásia, o continente mais povoado do planeta'', destacou um dos fundadores do FSM, o brasileiro Cândido Grzybowski.
A maior parte dos participantes coincide em que o alvo principal deste encontro será a administração do presidente dos Estados Unidos, George W. Bush. ''Bush é um perigo, seu fundamentalismo religioso é uma ameaça para o mundo'', acredita a feminista brasileira Sônia Correia.
No entanto, esta radicalização não é suficiente para o movimento rival Resistência 2004, que organiza um Fórum paralelo em Mumbai e para quem o principal inimigo não é Bush, mas ''o imperialismo''. ''Temos de entender que a guerra e a ocupação do Iraque e o que está acontecendo no mundo não tem como causas pessoas más, mas o sistema capitalista e o imperialismo'', comentou um dos promotores do movimento paralelo, que convocou uma manifestação ante o consulado americano em Mumbai no dia 20 de janeiro.
''Não existe uma forma de humanizar a globalização'', podia-se ler em cartazes ostentados por militantes de Resistência 2004. ''Outro mundo é possível'', clamava outro cartaz.


