Centenas de ativistas antiglobalização, reunidos ontem em Zurique (Suíça), confirmaram a intenção de ir a Davos para se manifestar contra o Fórum Econômico Mundial (FEM), apesar da proibição decretada pelas autoridades suíças. ‘‘Não podemos nos deixar intimidar. Temos o direito de manifestar’’, declarou à AFP Peter Streckeisen, membro da coordenadora suíça da Attac (Associação a favor da taxação das transações financeiras para ajudar os cidadãos). Reconheceu, entretanto, que não estava certo de poder chegar à estação de esqui.
Enquanto a elite econômica mundial se encontra reunida desde quinta-feira em Davos sob alta proteção policial e militar, Attac, partidos de esquerda e sindicatos suíços, assim como diversas organizações, mantiveram na Casa do Povo de Zurique um dia de debates, chamado ‘‘O outro Davos’’.
Para os organizadores da reunião de Zurique, a proibição de se manifestar é ‘‘uma negação de democracia’’. ‘‘Exército, gendarmes, polícia estão em estado de guerra. É esta a forma de traduzir alguns dos supostos objetivos de Davos, ou seja abrir o diálogo com a sociedade civil?’’, criticaram.
‘‘Somos favoráveis ao debate sobre a globalização. Em princípio não somos contra a globalização, mas contra a forma pela qual ela está se desenvolvendo atualmente’’, afirmou Streckeisen.
Os participantes de ‘‘O outro Davos’’ condenaram ‘‘a forma de considerar como delinquentes os que querem expressar suas opiniões na rua’’ em Davos.
Aludiam aos registros aos quais são submetidos desde quinta-feira todos os que tentam ir a Davos, de trem, ônibus ou carro, assim como às barreiras instaladas nas ruas da cidade alpina.
‘‘Ao proibir uma manifestação em massa em Davos, as diversas autoridades helvéticas voltam a se tornar cúmplices da extrema minoria que constrói o mundo, no qual 2 bilhões de mulheres e homens estão se empobrecendo a cada dia’’, acrescentaram.
Vários ônibus foram previstos para transportar hoje pela manhã os que desejam se manifestar em Davos. (France Presse)

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