Assunção, 26 (AE-AP) - O ativista de direitos humanos Martín Almada pediu ao governo brasileiro que ponha fim à condição de asilado político e expulse o ex-ditador paraguaio Alfredo Stroessner.
O ex-homem forte do Paraguai vive em Brasília desde 1989, quando um golpe militar provocou sua saída do país.
Em declarações à Associated Press, Almada afirmou que "em 31 deste mês vence o asilo outorgado pelo Brasil a Stroessner. Pedi ao presidente (Fernando Henrique) Cardoso que não renove esse privilégio e que o expulse porque é um delinquente comum".
Ele acusou o general da reserva de ser culpado por graves violações aos direitos humanos durante seu governo, entre 1954 e 1989, quando seu consogro, o falecido general Andrés Rodríguez, o derrubou do poder.
Almada, um ex-preso político, ganhou notoriedade em 1991, quando descobriu o arquivo da policía política de Stroessner. Cerca de três toneladas de documentos secretos estavam enterradas no pátio de uma propriedade da Polícia Nacional.
Almada disse que Stroessner, apesar de seus 87 anos, "deve pagar por seus crimes em uma prisão paraguaia. Há vários processos contra ele e, em meu caso, o denunciei pela morte de minha esposa Celestina Pérez, morta em 1976 por torturas psicológicas.
"Como eu estava preso e incomunicável sem ordem judicial, os policiais telefonavam para minha esposa dizendo que eu estava morto."
Uma ordem de captura está vigente contra Stroessner. Ela foi emitida em 1991 pelo então juiz Félix Silva Monges, que o declarou réu rebelde, foragido e contumaz por não apresentar-se para declarar no processo que investiga a morte dos irmãos Benjamín e Rodolfo Ramírez Villalba.
Ambos foram integrantes de uma agremiação supostamente guerrilheira denominada Organização Política Militar (OPM), que nos anos 70 arquitetou a derrubada de Stroessner. Os irmãos foram presos em 1976 pela polícia secreta e estão desaparecidos desde então.

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