Brasília- O doutor em Saúde Coletiva e coordenador-geral da Associação Brasileira Interdisciplinar de Aids (Abia), Veriano Terto, criticou hoje (22) a postura de parte da sociedade brasileira que, segundo ele, ainda hostiliza e vê com preconceito a pessoa com aids.
Com a carga de estigma que os soropositivos têm que enfrentar é muito difícil ele ter cuidado consigo próprio e com os demais. O soropositivo ainda vive num meio hostil a ele, então é natural que alguns soropositivos também vão reagir de forma hostil, afirmou durante bate papo virtual que faz parte da programação do Prevenção na Rede: Fórum Virtual sobre DST/Aids.
Segundo a pesquisa Comportamento, Atitudes e Práticas Sexuais da População Brasileira, realizada pelo Ministério da Sa© úde entre setembro e novembro de 2008, 13% dos brasileiros acreditam que uma professora portadora do vírus da aids não pode dar aulas em qualquer escola; 22,5% afirmam que não se pode comprar legumes e verduras em um local onde trabalha um portador do HIV e 19% pensam que, se um membro de uma família ficasse doente de aids, essa pessoa não deveria ser cuidada na casa da família. A pesquisa fez entrevistas com 8 mil pessoas em todo o país.
De acordo com Terto, os resultados da pesquisa comprovam ''o preconceito, a representação de perigo que ainda é atrelada aos soropositivos e a ignorância, que reforça esses valores de ameaça''.
A epidemia é considerada estável no Brasil. Segundo o Boletim Epidemiológico Aids/DST 2008, estima-se que existam 630 mil pessoas infectadas pelo HIV no país. No sexo feminino as maiores taxas de incidência estão na faixa etária entre 30 e 39 anos, no masculino, entre 30 e 49 anos.

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