O prédio do Fórum de Londrina, no Centro Cívico, já começa a viver seus últimos dias com salas vazias e luzes apagadas. Nesta segunda-feira (4), a 1ª e a 2ª Vara Criminal iniciaram o processo de mudança para a sede temporária da instituição, que será instalada na avenida Tiradentes, nas proximidades da avenida Arthur Thomas. Por este motivo, as seções tiveram as atividades suspensas até quarta-feira (6). Todas as repartições deverão deixar de funcionar no antigo edifício até o dia 12 de março. A transferência vem sendo acompanhada pessoalmente pelo diretor do Fórum, o juiz da 4ª Vara Criminal, Luiz Valério dos Santos. "Acredito que a adaptação tanto dos funcionários da Justiça, como dos advogados e da população vai levar um tempo, mas a estrutura nova é mais segura e necessária para que seja feita a obra", comentou o magistrado. A edificação atual será demolida para a construção de um novo prédio.

A principal melhoria na desativação do atual edifício, projetado pelo arquiteto Carlos Emiliano França e inaugurado em 1982, será o incremento da segurança. Tanto fisicamente - visto que o prédio instalado entre a Prefeitura e da Câmara Municipal já apresentou diversos problemas técnicos, chegando a ser evacuado - como do ponto de vista da segurança pública. "Já nessa estrutura, os presos não precisarão caminhar pelos corredores, o que permite que haja um tratamento melhor a eles e um conforto maior para quem transita nos corredores", explicou Santos.

Entre os advogados, o projeto no novo Fórum é celebrado. A atual situação da estrutura incomodava os profissionais que precisam passar por ali diariamente. Na sala da OAB (Ordem dos Advogados do Brasil), o ar-condicionado já não dá mais conta da necessidade. "E o pior é que nem podemos fazer novas instalações porque o prédio não comporta. Agora vamos avaliar como será o trabalho nessa sede temporária. Vamos formar uma comissão de criminalistas para ouvir as necessidades, mas tudo faz parte do processo da obra", opinou o advogado José Carlos Mancini, diretor da OAB.

Mesmo com o bom prognóstico do edifício a ser construído, existe desconfiança entre quem está habituado a caminhar pelas rampas do Fórum. "Sempre vejo com receio essas mudanças provisórias, até porque estamos no Brasil, onde o novo dificilmente chega. Mas o que está projetado vai suprir as necessidades de Londrina por muitos anos. O atual não tem condição de manter. Quantas vezes ouvimos as pessoas falarem nos corredores que o prédio tem risco de desabar", comentou o criminalista Mário Barbosa.

A construção do novo Fórum Criminal de Londrina foi liberada em novembro de 2018, com a autorização de licitação com previsão de gastos de até R$ 59,2 milhões. O projeto prevê sete pavimentos e três subsolos para estacionamento e terá capacidade de instalação de 18 unidades judiciais, das quais quatro serão reservadas para expansão futura. Em um primeiro momento serão instalados no edifício, além das Varas Criminais, os Juizados Especiais e as Varas da Infância e Juventude.

O edital para o chamamento das empresas interessadas em participar do processo de concorrência precisou ser republicado depois que erros técnicos foram encontrados. A previsão de abertura dos envelopes é no dia 26 de fevereiro. "Não poderíamos manter uma licitação com erros que depois pudesse ser alvo de ações na Justiça. Agora, se tudo caminhar dentro do esperado, a obra de demolição começa em abril", concluiu o diretor do Fórum, que deverá ter uma nova sede em até dois depois do início da construção.

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