São Paulo, 01 (AE) - O nível de atividade industrial no Estado cresceu 1,3% em outubro, em relação a setembro, segundo levantamento de conjuntura feito pelo Departamento de Pesquisas e Estudos Econômicos (Depecon), da Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp). Em relação a outubro, o Indicador de Nível de Atividade (INA) cresceu 1,7%. Os dados mostram uma retomada do crescimento da produção da indústria paulista. "Nada expressivo", segundo análise da diretora do Depecon, Clarice Seibel. O ano deverá terminar com uma produção 4,9% menor que em 1998.
O crescimento do INA em outubro, em relação ao mesmo período do ano passado, está distorcido pelo fato de a base de comparação ser pouco representativa. Foi quando a indústria nacional mais sentiu os efeitos e a reação da equipe econômica do governo à crise da Rússia. As taxas de juros foram elevadas e a economia do País se contraiu. Neste ano, a indústria reage fortalecida pela recuperação na produção e nas vendas de alguns setores apenas, como a indústria de alimentos, de papel e de material plástico. "Há uma dispersão no comportamento da indústria", disse Clarice.
Até o fim do ano, a produção de alimentos deverá crescer 11,3%, a de papel, 4,1%, mas a da indústria de material de transporte, o que inclui os fabricantes de veículos, deverá cair 8,1%, segundo estimativa do Depecon. O que se observa no levantamento da Fiesp é de que a redução da atividade no setor de material de transporte, incluindo aí as indústrias de autopeças, é que, apesar do elevado peso desse ramo de atividade na atividade industrial, não contaminou os demais mercados e a economia de uma forma geral. "Isso mostra que outros segmentos da atividade industrial ganharam dimensão a ponto de manterem-se fortalecidos." A queda da atividade da indústria de material de transportes, que em outubro foi de 2,2% em relação a setembro, deverá acentuar-se nos próximos meses. Segundo estimativa dos técnicos da Fiesp, a produção no setor em novembro foi 4,1% menor que a de outubro. Em dezembro deverá cair 1,4%. Em contrapartida, a produção de alimentos, que cresceu 1,5% em outubro, deverá aumentar 1,7% e chegar a 2,3% em dezembro, sempre em relação ao mês anterior.
A retração no setor de material de transportes ocorre em todos os itens que foram objeto de análise do levantamento do Depecon. O valor real das vendas das indústrias caiu 13,9%, O número de horas dedicadas à produção foi 5,3% menor. A explicação para essa queda expressiva foi o fim do acordo automotivo, que incluía redução de impostos e desconto nos preços. As empresas tentaram adaptar-se à nova situação de mercado. Ofereceram descontos nos preços de até 20%, mas o mercado não reagiu, observou a diretora da Fiesp.
No setor de alimentos, o índice de ocupação da capacidade instalada já chega a 79,9% e deverá aumentar, segundo previsão do Depecon. O total de pessoal ocupado aumentou 0,4% em outubro, em relação a setembro, e o total das horas trabalhadas na produção, 0,9%. A alta nos preços dos alimentos dificulta a análise em relação ao desempenho das vendas, segundo Clarice. Se deflacionado pelo Índice dos Preços no Atacado (IPA), o valor das vendas de alimentos no período caiu 1,4%, contra uma alta nos preços de 5,1%.
O prognóstico da Fiesp em relação ao desempenho da economia e da atividade industrial em 2000 não é muito otimista. Para a entidade, a economia deverá crescer 3,4%. A previsão é resultado de uma média das estimativas dos órgãos de classe e instituições internacionais. Segundo Clarice, a demanda permanecerá contraída e poderá até encolher, caso a inflação fuja ao controle da equipe econômica do governo.

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