Brasília, 15 (AE) - A atividade industrial foi menor em julho, segundo os indicadores industriais da Confederação Nacional da Indústria (CNI) divulgados hoje pelo presidente da entidade, Carlos Eduardo Moreira Ferreira. O faturamento do setor, depois de dois meses consecutivos de alta, caiu 1,35% em julho. A queda ainda é maior pelo índice dessazonalizado (-3 09%), revertendo o expressivo aumento registrado em junho, que foi de 7,22%. No acumulado dos sete primeiros meses do ano, a taxa permanece negativa, em 2,75%.
O mercado de trabalho também se reduziu em 0,05%, mas com o ajuste sazonal apresenta um pequeno crescimento de 0,23%. Os técnicos da Unidade de Política Econômica da CNI explicam que a queda de 1,35% nas vendas de junho ocorreu principalmente em função da elevada base de comparação, uma vez que no mês anterior o faturamento da indústria havia crescido 4,66%. Os técnicos salientam, entretanto, que a retração também pode ser explicada pelo aumento da inflação em julho.
No total dos salários pagos pela indústria, a pesquisa constatou um pequeno aumento em julho, de 0,2%, recuperando um pouco a queda observada no mês anterior. A elevação do indicador reflete, de um lado, a melhora do quadro de emprego e, de outro, o recuo da inflação. No acumulado do ano, o índice permanece negativo, em 9,68%.
O presidente da Confederação Nacional da Indústria (CNI)
Carlos Eduardo Moreira Ferreira, disse que a queda que vem se registrando na atividade industrial deve se reverter no último trimestre. Na sua avaliação, as medidas que o Banco Central vem adotando, como a redução dos depósitos compulsórios, que garante maior oferta de crédito, associada à continuidade de queda das taxas de juros, são fatores que contribuirão para um crescimento positivo da indústria.
Moreira Ferreira evitou quantificar o crescimento este ano, comentando, apenas, que será "pequeno". Ele citou como aspecto importante para retomada do crescimento industrial mudanças psicológicas, que irão decorrer do empenho do Executivo em aprovar a reforma tributária. O presidente da CNI destacou o sinal importante do compromisso do governo na aprovação da reforma tributária, evidenciado ontem pelo presidente Fernando Henrique Cardoso, na posse do novo ministro do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior, Alcides Tápias.
Fim do Ano - O chefe da assessoria econômica da CNI, Flávio Castelo Branco, disse que já se observa um movimento de encomendas por parte da indústria para as vendas de final de ano. Castelo Branco aposta que as compras da indústria deverão ser superiores às do ano passado. Segundo ele, a melhora no crédito, associada à estabilidade no emprego que vem se observando na indústria, como demonstra o índice de julho dessazonalizado, (um crescimento de 0,23% no nível de emprego) deve estimular o consumo. "Com a redução do temor pelo desemprego, o consumidor aposta outra vez na compra a crédito", comentou.
Ele lembrou que setores que vem sendo prejudicados há dois anos, como automobilístico e eletrodoméstico, podem ter sua demanda aquecida no último trimestre. O economista da CNI disse ainda que o cenário internacional, com a superação da crise asiática, está mais favorável, e mesmo internamente o cenário também melhorou com a adoção de medidas importantes, como a mudança na política cambial.

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