Atividade industrial cai 14% em julho
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quarta-feira, 18 de agosto de 1999
Por Ariel Palacios, especial para a AE 
Buenos Aires, 19 (AE) - A atividade industrial argentina caiu 14% em julho em relação ao mesmo mês do ano passado. O anúncio foi feito pelo secretário de Indústria e Comércio, Alieto Guadagni, que afirmou que nos primeiros sete meses deste ano a produção industrial teve uma queda de 11% em relação ao período janeiro-julho de 1998. O secretário Guadagni sustentou que grande parte desta queda deve-se à indústria automotiva: "este foi um dos setores mais atingidos pela recessão".
Segundo Guadagni, nos primeiros sete meses do ano se for excluída esse setor da queda da produção industrial, a redução seria de somente 3%. Para reativar o setor, afirmou o secretário
foi implementado o "Plan Canje" (plano de renovação de frotas argentino), o qual, segundo Guadagni, a partir do 20 de outubro vai incluir os automóveis brasileiros.
No entanto, a entrada de veículos do Brasil ficará sujeita à fórmula 2 por 1, ou seja, para cada dois carros argentinos exportados ao mercado brasileiro, um carro importado do Brasil poderá participar do plano de renovação. Guadagni também anunciou que o país perdeu US$ 3 bilhões em exportações no primeiro semestre deste ano. De acordo com ele, as exportações caíram 12% nos primeiro semestre deste ano. Em valor, as vendas ao exterior foram reduzidas em 15%, embora em volume físico, aumentaram 3%.
O secretário disse que as discussões do regime automotivo estão pendentes de que o Brasil marque a próxima reunião, e que lhe pareceu "interessante" a proposta de regime formulada pela Adefa e a Anfavea, além das associações de fabricantes de autopeças. Sobre a reunião que será realizada em Buenos Aires daqui a poucas semanas entre a Mercosul e a Comunidade Andina (CAN), Guadagni afirmou que está sendo analisada a possibilidade de um acordo unilateral Argentina-CAN, de forma similar ao que o Brasil fez há pouco. Guadagni também disse que está sendo estudada a proposta da CAN de criar uma zona de livre comércio com o Mercosul.
Guadagni também mencionou o risco de uma grande desvalorização no Brasil, e sustentou que o Mercosul precisa estabelecer mecanismos de compensação às grandes variações macroeconômicas. Segundo Guadagni, "existe vocação nos três países do Mercosul para tratar a convergência das macroeconomias". O secretário afirmou que "é preciso se prevenir, para não ter que consertar depois".


