Passar a roupa, lavar a louça, esfregar o chão são ótimas atividades para deixar a casa limpa. Para ficar em forma, porém, é preciso fazer exercícios um pouco mais pesados, argumentam os especialistas.
Faz tempo que as pessoas ouvem que uma caminhada leve aqui ou uma ida até a cozinha ali podem fazer a gordura sair do lugar. É por isso que a American College of Sports Medicine (ACSM) - uma das maiores organizações internacionais responsáveis pelo estabelecimento de diretrizes relacionadas à atividade física - começou a se preocupar com estes ''conselhos''.
A British Association of Sport and Exercise Sciences (Bases) também percebeu que a população entendeu errado vários conceitos que eles tentaram transmitir nos últimos anos.''Para a perda de peso, a intensidade do exercício é fundamental. Levar o cachorro para passear, ir para a padaria a pé, entre outras atividades ocupacionais, podem não ser suficientes para a perda de peso'', diz a fisiologista do esporte Vera Barbosa, da Movere Núcleo de Atividades Esportivas.
Após estudarem certas porções da população, alguns pesquisadores propuseram que o mínimo de atividade física a ser praticada diariamente deveria ser de 30 minutos. E, segundo Vera, esta atividade deveria gerar o gasto de 200 kcal em 30 minutos. Uma pessoa de 70kg que escolhesse subir escadas durante meia hora poderia atingir este gasto. Se ela optasse por uma caminhada leve não obteria tanto sucesso.
Outro mito é a frase ''no pain, no gain'' (em português, algo como ''sem dor não haverá ganho''). Ela deve ser considerada 'papo de atleta', pessoas que precisam treinar duro para vencer competição. ''No começo, a pessoa pode sentir dor, mas depois o exercício traz muito bem-estar'', diz o médico do esporte da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp), Renato Romani.
Intensidade não é a única variável que influencia a perda de peso. Vera lembra que também devem ser considerados o volume, a frequência e o tempo de duração do exercício. O bem-estar também não fica de fora. ''Acredito que para se obter resultados positivos na saúde precisamos fazer com que a atividade tenha sentido na vida das pessoas'', lembra Vera.
Atividades levinhas só não funcionam para a perda de peso. Vera chama a atenção para muitos estudos que já mostraram que um estilo de vida mais ativo pode evitar várias outras doenças, como a depressão e o enfarte. ''Fazer caminhada de baixa intensidade todos os dias pode não emagrecer, mas é uma forma de melhorar os sistemas pneumológico, cardiológico, imunológico'', diz Romani.
Um estudo do American College of Cardiology diz que uma caminhada diária de baixa intensidade diminui em 30% as chances que uma pessoa tem de sofrer uma doença coronariana. Romani lembra que o exercício é uma necessidade humana, assim como dormir e comer. E diz que, se a sociedade deixasse os fast-foods de lado, talvez as atividades de baixa intensidade pudessem ser mais eficazes.

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