São Paulo - Carregar na cintura um aparelho que conta os passos começou como mania japonesa, se transformou em moda nos Estados Unidos, virou objeto de estudo de pesquisadores da área da saúde e conquista agora cada vez mais adeptos no Brasil. A popularidade dos aparelhos, chamados pedômetros ou passômetros, se deve ao fato de eles terem demonstrado em pesquisas que auxiliam sedentários a incluir atividade física em suas rotinas - e, conseqüentemente, perder peso.
  Nos Estados Unidos, os aparelhos foram distribuídos pelo McDonald’s. Por aqui, a Gatorade deu mais de 150 mil unidades a seus consumidores em menos de três meses. Recentemente, o Centro de Medicina da Atividade Física e do Esporte da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp) disponibilizou na internet (www.cemafe.com.br) um programa próprio baseado no aparelho. ‘‘Observamos um grupo de adultos que o utilizou e eles obtiveram melhoras em sua condição física. É um motivador’’, diz o médico Renato Romani, autor do programa.
  ‘‘Contar os passos ajuda os sedentários a ter consciência do quanto de atividade fazem e do quanto precisam aumentar para terem melhoras em sua saúde’’, afirmou a pesquisadora americana Catrine Locke-Tudor, da Universidade do Arizona, uma das primeiras a estudar os aparelhos. ‘‘Muitas pessoas pensam que são ativas, mas são apenas ocupadas. Andam de 3 mil a 4 mil passos por dia. Na escala que criamos, consideramos 10 mil o ideal’’, diz ela, que criou o programa de atividade física First Step (Primeiro Passo).
  A idéia dos programas, tanto americanos quanto brasileiros, é tornar a pessoa consciente do quanto precisa se movimentar, adotando mudanças graduais. Por exemplo, para chegar aos 10 mil passos - cerca de 6 quilômetros ou duas horas e meia de caminhada - é o mesmo que percorrer mais de duas vezes a extensão da Avenida Paulista (com 3.818 passos, em média, uma pessoa faz o trajeto uma vez). O aparelho deve ficar na altura do abdome, e faz a contagem por meio de um sensor que capta o movimento no corpo que a pessoa faz ao caminhar.
  ‘‘É um programa de mudança comportamental. Vemos quantos passos a pessoa dá normalmente e traçamos metas para ela, com atividades que possa fazer. Não adianta eu falar para correr na academia, se ela não vai ter tempo ou condições. Medindo, a pessoa pode chegar ao fim do dia e ver que, se der duas voltas no quarteirão, já aumentou bastante seus passos’’, explica Catrine.
  Mesmo para quem já pratica atividades físicas, a contagem parece interessante. ‘‘Ganhei da minha mãe o aparelho e agora coloco toda vez que vou correr ou andar. Dá um controle maior e um estímulo, porque quero atingir as metas’’, conta o estudante Rafael Balan Zappia, de 21 anos, que se orgulha de andar 12.500 passos diários.
  É esse tipo de incentivo que Catrine acha positivo. ‘‘Quero que as pessoas percebam que precisam andar mais, com ou sem pedômetros. A mensagem principal é: ‘‘andem mais’’, resume a pesquisadora.

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