Atividade alerta para os perigos da dengue
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segunda-feira, 10 de fevereiro de 2014
Lucio Flávio Cruz<br> Reportagem Local 
Londrina Chamar a atenção das pessoas e orientar sobre os perigos e os riscos da dengue foi o objetivo de uma atividade educativa realizada ontem pelo setor de Endemias da Secretaria Municipal de Saúde, durante a feira da avenida Saul Elkind, na zona norte de Londrina.
Londrina é uma das 12 cidades do Estado que apresentam alto Índice de Infestação Predial (IIP) e crescimento significativo na taxa de notificação de casos suspeitos, o que na prática pode ocasionar uma epidemia da doença no município. O IIP de Londrina, divulgado na semana passada pela Secretaria Estadual de Saúde (Sesa), é de 7,04, o que significa alto risco de uma epidemia. Somente este ano, a cidade já registrou 21 casos confirmados de dengue. De agosto do ano passado até agora são mais de 2,8 mil notificações da doença.
A maquete de dois quintais, um com situações que proporcionam a proliferação de larvas do mosquito, como lixo espalhado, vasos de plantas com água, pneus em espaço aberto, e outro em boas condições higiênicas, chamou a atenção de Giordana Laurence, 10 anos, que foi até a feira com o pai, Igor Laurence, de 33.
A menina, que teve dengue em 2012 e chegou a ficar dois dias internada, não esquece o sofrimento. "Eu tive muita dor de cabeça, manchas pelo corpo e não conseguia fazer quase nada porque me sentia cansada", relatou a garota, que ontem descobriu outros pontos importantes sobre a doença. "Eu achava que os ovos com as larvas ficavam na água, na verdade eles ficam grudados nas bordas dos recipientes e quando acumula água eles se desenvolvem", explicou. Os ovos do mosquito da dengue resistem por até 450 dias em local seco.
O educador de Endemias Lyonel Martinez explicou que uma fêmea do mosquito vive entre 30 e 35 dias, período em que fica fértil pelo menos dez vezes e pode depositar até 700 ovos. Em um ciclo de sete dias a larva sai do ovo e se transforma em um novo mosquito transmissor da dengue.
Martinez destacou que a grande maioria dos criadores estão dentro dos quintais das casas, e por isso a colaboração das pessoas é fundamental. "Muitas vezes a água pode estar acumulando em um tronco de uma árvore, em caixas dágua descobertas e em calhas. Quem sobe no telhado uma vez por mês para limpar a calha e evitar o acúmulo de água? É preciso uma mudança de hábito e o combate à dengue precisa fazer parte da rotina das pessoas", alertou o educador.
A dona de casa Vera Lúcia Pereira, 58 anos, achou válido o trabalho dos educadores e acredita que falta conscientização por parte dos moradores. "Não é falta de informação não. As pessoas que são acomodadas e que se descuidam. Eu cuido do meu quintal e ainda incentivo os meus vizinhos a fazerem o mesmo", garantiu a moradora do Conjunto Luís de Sá. "Até uma criança sabe o que tem que fazer para evitar uma epidemia, mas as pessoas parecem que acordam só quando acontece com alguém da família", apontou o comerciante Igor Laurence.
O aposentado José Castorino, 66 anos, que mora no Jardim Alto da Boa Vista, garantiu que cuida bem do seu quintal e que nunca foram encontrados criadouros na sua casa. "Todo dia dou uma olhada e vejo se está tudo certinho. As pessoas acham que a dengue não é um problema grave e por isso não se preocupam em deixar tudo limpo", comentou.
De acordo com o supervisor do setor de Endemias, Elson Belisário, o número de casos confirmados em Londrina está dentro da normalidade em comparação com os anos anteriores, mas é preciso manter a atenção. "É importante lembrar a população que mesmo com a seca ainda encontramos focos da doença. Por isso, as pessoas não podem relaxar nos cuidados com a água parada", ressaltou.


