Brasília, 27 (AE) - As declarações do presidente do Congresso, senador Antonio Carlos Magalhães (PFL-BA), cobrando do governo explicações "espontâneas" sobre o suposto vazamento de informações pelo Banco Central durante a desvalorização do real, foram qualificadas pelos políticos no Congresso como um sinal de que ACM tomará a frente dos trabalhos da CPI imposta pelo PMDB.
O fracasso no depoimento de Francisco Lopes - qualificado como ofensa à sua autoridade - levou ACM a interferir na CPI dos Bancos. Nos 28 minutos que duraram a passagem do economista pela comissão, na segunda-feira, o senador interferiu na condução da sessão e chegou até a aconselhar Francisco Lopes a depor.
Hoje, interlocutores do senador baiano procuravam esvaziar a hipótese de Magalhães tomar as rédeas das investigações. Segundo esses ouvintes, a atuação de ACM decorre da sua preocupação em evitar qualquer tipo de constrangimento ou até mesmo a desmoralização do Senado por causa da negativa de Francisco Lopes.
"No momento em que a CPI e até mesmo o Senado estavam em xeque-mate, o senador Antonio Carlos apareceu com uma postura firme", avaliou o senador Eduardo Siqueira Campos (PFL-TO).
"A preocupação do senador Antonio Carlos Magalhães é com o enfraquecimento da CPI do Judiciário", avaliou o senador Lúcio Alcântara (PSDB-CE). O senador tucano acha que a presença de ACM foi fundamental para a voz de prisão de Chico Lopes, dada pelo presidente da CPI, senador Bello Parga (PFL-MA).

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