Atirador se rende só após 9 horas
PUBLICAÇÃO
quinta-feira, 18 de outubro de 2012
Artur Rodrigues e William Cardoso <br> <br> Agência Estado 
São Paulo - Para evitar uma internação psiquiátrica, o administrador de empresas Fernando Behmer Cesar de Gouveia Buffolo, de 33 anos, atirou ontem contra quatro pessoas, na Rua Castro Alves, na Aclimação, na Área Central de São Paulo. Houve na sequência um cerco policial e o atirador se entregou só depois de quase nove horas de negociação. Levado ao pronto-socorro do Hospital do Servidor Municipal, deverá ser indiciado por quatro tentativas de homicídio, além de passar por avaliação médica.
Às 8h17, o advogado da família, José Cociolito, um psiquiatra, três enfermeiros e um oficial de Justiça bateram na porta da casa onde o administrador vivia com uma amiga, a psicóloga Silvia, de 44 anos. Eles pretendiam apresentar o ofício de interdição do rapaz, solicitada pela família.
A amiga de Buffolo foi à porta e, de imediato, disse que ninguém iria levar o rapaz dali. A conversa durou cerca de três minutos. ''A senhora Silvia duvidou do nosso mandado e começou a gritar. Nisso, ele apareceu e, sem dizer uma palavra, abriu a porta e começou a atirar a esmo'', afirmou o advogado.
O administrador atingiu a própria amiga, com um tiro no maxilar. Depois acertou o peito do oficial de justiça e o rosto de um dos enfermeiros. As vítimas caíram na calçada e acabaram levadas para o pronto-socorro, na mesma rua, pela ambulância que seria utilizada para levar o administrador para a avaliação. Buffolo se fechou dentro da casa.
Com os disparos, policiais militares foram chamados para acompanhar a ocorrência e, quando se aproximavam da casa para tentar conter o atirador, um deles teve o escudo atingido por um tiro - possivelmente disparado de uma espingarda calibre 12.
A PM afirmou que um dos enfermeiros ainda teria tentado desarmar Buffolo. Durante a luta, o administrador teria se machucado no peito e na testa. Segundo o advogado da família, que estava no local, isso não aconteceu: o rapaz se machucou provavelmente ao disparar contra os policiais, já com a porta de casa fechada. Os cacos de vidro teriam acertado seu rosto.
A partir daí, teve início a negociação, feita por um integrante do 11.º Batalhão da PM. O Grupo de Ações Táticas Especiais (Gate) também foi chamado para acompanhar o caso. O cerco formado incluiu 30 policiais.
Conforme o tenente-coronel Marcelo Pignatari, responsável pela operação, o administrador se mostrou bastante nervoso durante as primeiras conversas. O diálogo era interrompido a todo momento e ele não demonstrava interesse em se entregar. Mas a rendição ocorreu às 17h10. Os PMs entraram na casa e encontraram as armas no quarto e na sala. O administrador foi levado até a casa de uma vizinha, deitou-se na maca e acabou levado ao hospital.


