Rio - O assassino que matou 12 crianças e feriu outras 12 na quinta-feira na Escola Municipal Tasso da Silveira, em Realengo, na Zona Oeste do Rio de Janeiro, recarregou o seu revólver 38 pelo menos nove vezes durante a chacina. Wellington Menezes de Oliveira, de 23 anos, disparou mais de 60 vezes contra os estudantes. A perícia da Delegacia de Homicídios da Polícia Civil recolheu 62 cápsulas deflagradas e oito speed loaders - equipamento utilizado para recarregar a arma.
A perícia e os policiais também apresentaram um revólver 32, um canivete e um cinturão com 13 compartimentos para transporte dos speed loaders. A maior parte do equipamento estava manchada de sangue.
De acordo com o delegado titular da Delegacia de Homicídios, Felipe Ettore, o assassino não falou nada para suas vítimas durante a execução. ''Segundo os professores, ele não falou nada. Só quando entrou na sala e disse que ia dar uma palestra. Começou a atirar aleatoriamente sem falar nada'', disse.
O secretário de Segurança Pública do Rio, José Mariano Beltrame, disse que ''as investigações, os depoimentos e a perícia'' revelam que o massacre foi um ato isolado. ''Isso foi uma ação de uma pessoa doente que infelizmente cometeu essa monstruosidade'', declarou.
Questionado se teme por uma possível repetição do episódio, o secretário foi enfático. ''Dizer que isso nunca vai acontecer é leviano. Em segurança pública, nós acompanhamos e monitoramos para antecipar ações'', afirmou Beltrame. Ele defendeu a rediscussão do Estatuto do Desarmamento. ''Qualquer campanha, rediscussão e legislação que seja séria e mostre resultado será bem-vinda.''
Mensagem papal
O papa Bento 16 enviou mensagem de solidariedade às famílias das crianças mortas. O texto foi encaminhado ao arcebispo do Rio de Janeiro, dom Orani João Tempesta, e repassada ao governador Sérgio Cabral (PMDB).
Na mensagem, o papa Bento 16 deseja que as crianças que ficaram feridas se recuperem rapidamente e convida todos os cariocas a dizer não à violência.
Dez crianças feridas durante o ataque permanecem internadas em seis hospitais. Três delas estão em estado grave. Na tarde de ontem, uma menina de 13 anos recebeu alta do Hospital Estadual Albert Schweitzer. Ela foi atingida por um tiro que entrou pelas costas e saiu pela barriga, sem atingir órgãos.

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