Atirador integrava grupo nacionalista perseguido
Erivan, Armênia, 27 (AE-ANSA) - Logo após o assalto ao Parlamento da Armênia, a primeira hipótese sobre a motivação dos atacantes conduzia ao conflito com o vizinho Azerbaijão sobre a posse da região azerbaijana de Nagorno-Karabakh, habitada por maioria armênia - assunto que tem dominado a vida política do país nesta década.
Mas, depois que um nacionalista radical foi identificado entre os atacantes, a maior suspeita recai sobre as questões políticas internas. O nacionalista Nairi Unanyan, o homem que descarregou sua arma no primeiro-ministro Wasgen Sarksyan, integrou a Federação Revolucionária Armênia, ou Dashnak, a organização política mais antiga do país. Ele foi expulso do grupo, mas continuaria em contato com sua facção mais radical. Líderes da Dashnak disseram hoje que Unanyan não faz mais parte de seus quadros.
Essa organização foi fundada secretamente em 1890, como órgão-irmão dos socialistas revolucionários de esquerda da Rússia. Promovia atentados contra príncipes e funcionários do império czarista. Esteve no governo durante a breve independência armênia no início do século e reapareceu após a dissolução da União Soviética, em 1991, pregando o socialismo para a Armênia e Nagorno-Karabakh.
Em 1993, o governo dissolveu a Dashnak, acusando-o de atividades terroristas, mas seus membros se reorganizaram mudando o nome do grupo. Atualmente, tem uma pequena representação no Parlamento. Segundo o historiador Aleksandr Iskandaryan, diretor do Centro de Estudos Caucasianos de Moscou, o Dashnak tem desde correntes moderadas a ultra-radicais.
A possibilidade de a ação estar ligada a Nagorno-Karabakh foi logo aventada porque Azerbaijão e Armênia parecem próximos de um acordo sobre a região, pela qual entraram em guerra de 1988 a 1994. Cerca de 35 mil pessoas morreram no conflito. Nacionalistas armênios controlam o território.
Para Iskandaryan, o ataque de hoje não está relacionado a divergências sobre Nagorno-Karabakh, mas a conflitos políticos internos do país.





