Atirador do shopping passará por exame de sanidade mental
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segunda-feira, 29 de novembro de 1999
Por Gabriela Carelli 
São Paulo, 29 (AE) - O juiz-presidente do 1.º Tribunal do Júri de São Paulo, José Ruy Borges, determinou hoje, após interrogatório, que o estudante Mateus da Costa Meira, de 24 anos, seja submetido a exame de sanidade mental. Na audiência, um fato novo foi revelado: a promotoria requereu a realização de um exame de sangue para verificar se o réu sofre de uma doença letal e contagiosa. A defesa assegurou tratar-se de um teste de aids. O pedido foi rejeitado.
Meira, que matou três pessoas e feriu outras quatro ao disparar na platéia de um dos cinemas do MorumbiShopping durante a exibição do filme "Clube da Luta", no dia 3, não respondeu a nenhuma das 30 perguntas do juiz. Seguiu a orientação de seu advogado, Eduardo Pizarro Carnelós, que insistiu na necessidade do exame psiquiátrico. Meira falou apenas quando questionado sobre sua identidade, afirmando não ter intenção de se pronunciar.
"Sem o laudo psiquiátrico, qualquer coisa que meu cliente falasse poderia levar a interpretações prejudiciais", alegou Carnelós. Ele já havia requerido o exame na quarta-feira, mas, na ocasião, o pedido foi indeferido.
Para o promotor responsável pelo caso, Norton Geraldo Rodrigues da Silva, o silêncio de Meira só complica o andamento do processo. "Só o fato de ele usar drogas acaba com a história de doença mental", afirmou. Caso Meira seja considerado inimputável pela avaliação médica, responderá ao crime internado numa casa de custódia, e não em presídios comuns. A pena pode variar de 12 a 30 anos de reclusão.
Prazo - De acordo com o juiz, o laudo deverá estar pronto em 30 dias. A equipe responsável pela avaliação será formada por quatro médicos: Antônio Carlos Justino Cabral, Moacir Alessandro Rosa, Sérgio Paulo Rigonetti e Maria Adelaide de Freitas.
Silva explicou que o exame de sangue foi recomendado em documento encontrado na casa de Meira, expedido pela Faculdade de Ciências Médicas da Santa Casa de Misericórdia de São Paulo, onde o acusado cursava medicina. Meira teria se acidentado com um instrumento perfurante ao tratar um paciente na faculdade em julho e poderia estar infectado.
Na avaliação de Silva, esse pode ser um dos motivos do atentado, o que reforçaria a sua tese de crime premeditado. O promotor não quis mencionar o nome da doença. "Se a defesa falou, a responsabilidade é dela; estou tentando preservar o réu." Para Carnelós, o pedido mostra que a promotoria está "desesperada" atrás de um motivo para o crime.
Cúmplice - Também foi interrogado hojeno 1.º Tribunal do Júri o mecânico Marcos Paulo Almeida Santos, de 25 anos, acusado de ter vendido a submetralhadora de fabricação americana usada por Meira no atentado do shopping. Denunciado pelo próprio estudante, ele continuou negando a acusação.
O interrogatório de Santos não acrescentou muito ao processo. O pedido de liberdade provisória requerido por seu defensor foi negado pelo juiz. Meira denunciou Santos como fornecedor de duas armas e de munição: uma automática calibre 380 milímetros, a submetralhadora e quase 400 cartuchos de calibres 380 e 9 mm.


