Atingidos por barragens fazem protesto em Brasília
PUBLICAÇÃO
terça-feira, 13 de março de 2001
Maura Campanili Agência EstadoDe São Paulo 
Cerca de 1.800 pessoas do Movimento dos Atingidos por Barragens (MAB) estão acampadas na Esplanada dos Ministérios, em Brasília, desde anteontem, para uma série de protestos contra a construção de barragens no País. Ontem pela manhã parte da arquibancada do circo alugado pelo MAB caiu, ferindo 11 pessoas, três delas gravemente.
Os manifestantes chegaram em 40 ônibus de vários Estados, onde foram construídas ou estão projetadas barragens, e pretendem permanecer na capital até sexta-feira. Hélio Mecca, da coordenação nacional do MAB, diz que as ações devem começar hoje - Dia Internacional Contra Barragens -, quando haverá manifestações em 22 países.
Estão previstas manifestações nas barragens de Serra da Mesa (MG), Cana Brava (TO), Dona Francisca e Machadinho (RS), Tucuruí e Belo Monte (PA). Ontem o MAB participou de um protesto em São Paulo, contra a construção da hidrelétrica de Tijuco Alto, e ocupou as barragens de Dona Francisca, no Rio Grande do Sul, e Machadinho, entre Rio Grande do Sul e Santa Catarina. Três mil pessoas participaram das duas ocupações.
Queremos ser recebidos pelos ministros de Minas e Energia e do Meio Ambiente e pelo Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID), que financia obras de grandes barragens para o setor privado, informa Mecca. Segundo o movimento, um milhão de pessoas foram expulsas pela construção de grandes barragens no Brasil, muitas delas sem receber compensação. Outras famílias, que vivem perto dos empreendimentos, perderam os meios de sustento devido aos impactos na pesca, agricultura de várzea e outras atividades.
Queremos que o governo respeite as decisões das comunidades, consultando para saber se estão ou não de acordo com a instalação de hidrelétricas em suas regiões, o que nunca aconteceu. Atualmente, estão planejadas mais 494 barragens no País, até 2015, com cerca de 40 a serem licitadas ainda este ano, diz o dirigente do MAB.
Um estudo independente, lançado em novembro último pela Comissão Mundial de Barragens (CMB), mostra que as grandes barragens não cumpriram suas promessas em termos de custos projetados e eficiência no fornecimento de energia elétrica, controle de enchentes e fornecimento de água para irrigação.
Desde os anos 50, a oposição à construção de grandes barragens cresceu, sobretudo devido aos impactos ambientais causados e ao deslocamento de populações ribeirinhas. Nos anos 90, ainda de acordo com o relatório do CMB, o custo da controvérsia começou a afetar os novos planos de barragens e tornar mais atraentes os investimentos em alternativas de produção de energia e de abastecimento de água, que não interferissem tanto no curso dos rios.


