São Paulo - Mesmo sem ser uma questão assim tão nova, o debate sobre a inexistência de Deus reaparece hoje em 22 Estados, provocando a costumeira polêmica. Com debates, palestras, bate-papos e até shows de humor, o 1º Encontro Nacional de Ateus acontece após ter levantado na internet uma oposição até improvável: a crítica mais ferrenha e numerosa veio de ateus descontentes com a ideia de que um encontro se confunde com a criação de uma religião... de ateus.
As primeiras ideias desses encontros, ''para conhecer pessoas que pensam igual'', foram da estudante gaúcha Stíphanie da Silva, 22 anos, da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS). Ela faz parte da Sociedade Racionalista, organização que se compromete a defender ceticismo, laicismo, ciência e ateísmo. ''Queremos o fim do preconceito contra nós, que não acreditamos em religiões, e fazer com que os ateus percebam que não estão sozinhos'', diz.
Pelo Facebook, convocou no mês passado colaboradores pelo Brasil. Os representantes nos Estados trataram de arrumar um espaço e cuidar da agenda - que é livre, pode ou não ser definida previamente e não tem horários fixos para começar e terminar. A única regra é que seja aberto a todos.
Usando a internet como aliada, promoveram um ''tuitaço'' no fim de semana passado que colocou o Encontro Nacional dos Ateus entre os três assuntos mais comentados no Twitter. Na esteira da divulgação, apareceram as críticas no microblog. ''O problema dos ateus é que parecem que vivem em função disso. Hello, vcs estão fazendo a mesma coisa que os religiosos...'', escreveu @oimilla.
Segundo Stíphanie, os encontros têm a ver com liberdade e respeito a ideias que vão da legalização do aborto à defesa de um Estado laico de fato, além do preconceito que sofrem outras religiões, como a umbanda, e grupos, como homossexuais. Mas é do posicionamento pessoal em relação às religiões e Deus é que os encontros mais se ocuparão. ''Queremos que o ateu saia do armário'', diz Stíphanie, referindo-se à frase do cientista britânico Richard Dawkins, autor de ''Deus, um Delírio'' e crítico voraz das religiões.
O empresário paulista Thiago Sprovieri, de 27 anos, diz que sua saga para ''sair do armário'' durou dez anos. ''Eu fiquei escondido por muito tempo. Sou ateu e para me assumir foram dez anos'', diz o empresário, um dos organizadores do encontro na cidade de São Paulo.
O comerciante Ulisses Fonseca, de Campinas, postou um vídeo no YouTube onde critica a postura do grupo. ''Também não acredito em Deus, mas essa ideia é absurda. Quem é ateu não precisa ficar se confrontando, provocando.''

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