Atestados de óbito geram processo contra orfanato egípcio
Cairo, 17 (AE-REUTERS) - Atestados de óbito suspeitos levaram autoridades egípcias a investigar as mortes de 25 crianças em um orfanato e a possível venda de seus órgãos, disse um membro do parlamento nesta quarta-feira (17).
"Houve 25 crianças carentes que morreram", disse à Reuters um dos 10 parlamentares que fizeram uma queixa a promotores. "Nós descobrimos pelos atestados de óbito que elas morreram umas após as outras. O procurador-geral está investigando", disse o legislador, que falou sob condição de anonimato.
A polícia informou ontem que os 10 parlamentares alegaram que 25 crianças morreram em um orfanato num período de três meses e partes de seus corpos foram vendidas. As crianças tinham até 13 anos de idade. O orfanato em questão fica em uma cidade na província de Minufiya, 60 quilômetros ao norte do Cairo.
Eles também argumentaram que os negócios envolveram grandes somas de dinheiro e tiveram colaboração de pessoas poderosas.
Queixas sobre o número de mortes ocorridas no orfanato foram feitas a autoridades há algum tempo, informou o parlamentar. "Os atestados de óbito traziam datas muito próximas umas das outras", acrescentou.
A nova diretora do orfanato, Bahiga Hamam, disse nesta quarta-feira que as crianças restantes estavam em péssimas condições quando ela assumiu no mês passado. "Nós assumimos em 27 de fevereiro após uma decisão de renúncia da antiga diretoria", disse ela à Reuters Television na cidade de Shibeen al-Qom, em Minufiya.
"As crianças no orfanato estavam muito doentes e em péssimas condições. Sem cobertores, sem assistência médica. A maioria das crianças está mentalmente afetada", afirmou. Ela disse que as 46 crianças internadas atualmente no orfanato têm de zero a 18 anos.





