Os novos cursos de medicina só receberão o ‘‘atestado de qualidade’’ quando formarem a primeira turma. Nesse momento serão submetidos à mais ampla avaliação oficial, o Exame Nacional de Cursos (Provão). No entanto, os resultados do Provão e da avaliação realizada pela Cinaem em 1999 indicam que os alunos estão aprendendo menos do deveriam. No ano passado, a média de medicina no Provão foi 43,4. No exame da Cinaem, que verificou o grau de conhecimento dos alunos de todas as escolas de medicina na época, a média foi 50,2. Ambos adotam uma escala de 0 a 100.
Esse desempenho reforça a tese de que é necessário reforçar o controle sobre as instituições que formam os futuros médicos: ‘‘Como expandir nesse ritmo se ainda não se consegue assegurar a qualidade do que existe?’’, questiona a presidente da Cinaem, Regina Stella.
Mas os próprios resultados do Provão não permitem afirmar que escola nova é sinônimo de escola ruim. Ao contrário: tomando como exemplo as mais antigas universidades de medicina do País, percebe-se que os fatores regionais podem influir no desempenho dos estudantes. A Faculdade de Medicina da Universidade Federal do Rio de Janeiro obteve A nos Provões de 1999 e 2000. A Escola Bahiana de Medicina e Saúde Pública ficou com E e D na avaliação, considerando os mesmos anos.
A melhoria da qualidade depende de uma profunda reforma curricular, o que já está ocorrendo em algumas escolas. ‘‘Há excesso de especialização na própria graduação’’, diz a secretária-executiva da Cinaem, Regina Parizi Carvalho. Com isso, o estudante fica com dificuldade de entender o corpo humano como um todo, pois os conhecimentos gerais ficam restritos. ‘‘O ensino compartimentado faz com que os formandos percam a capacidade de raciocínio clínico’’, afirma.(A.E.)

mockup