Aterro do Igapó vira parque ecológico
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sábado, 17 de outubro de 1998
Lúcio Horta 
O prefeito de Londrina, Antonio Belinati, assinou ontem de manhã decreto municipal declarando o aterro do Igapó 2, no jardim Maringá (área central), como parque ecológico. A decisão coloca um ponto final na polêmica sobre a lei do próprio Executivo, aprovada pela Câmara Municipal, que autorizava a doação do aterro, através de licitação, para construção de um empreendimento de lazer. A lei provocou reações de diversos setores, que condenaram a doação sob o argumento de que o aterro é fundo de vale e, portanto, área de preservação ambiental.
Em coletiva no seu gabinete, ainda de manhã, Belinati justificou a decisão dizendo que se curvou diante da vontade da população londrinense. Ele falou ao lado do secretário de governo; Gino Azzolini; e do diretor-presidente da Autarquia do Meio Ambiente (AMA), Mauro Maggi. Analisamos todas as manifestações, inclusive dos moradores. E, como prefeito, tenho que agir em sintonia com a comunidade, disse Belinati. E completou: Nunca fui radical, nunca fui totalitário. Então por que insistir (na doação), contrariando a maioria da população?.
No decreto, de número 609, consta que é vedada a edificação de obras civis na referida área para fins de exploração comercial. Além disso, atribui à secretaria de governo, AMA, Instituto de Pesquisa e Planejamento Urbano de Londrina (Ippul), Companhia Municipal de Urbanização (Comurb) e secretaria de Obras a competência para apresentar um projeto de recuperação e aproveitamento a área do aterro.
Mauro Maggi informou que em 90 dias espera concluir, em conjunto com os outros órgãos responsáveis e também ouvindo a comunidade londrinense, o projeto de revitalização do aterro. Belinati acrescentou que o investimento no local não deve ser grande, porque trata-se basicamente de equipamentos de lazer e também plantação de árvores. Vamos discutir com os especialistas e também ouvir a comunidade, garantiu.
O prefeito fez ainda um apelo aos investidores que estavam interessados em construir na área para que não desistam de investir em Londrina. Ele observou que a cidade tem diversos outros lugares que não são áreas de preservação ecológica e que poderiam abrigar um empreendimento como um shopping de lazer. Além disso, destacou, Londrina ainda carece de um local para diversão para os jovens. Podemos colocar até um helicóptero à disposição do empresário que esteja interessado em investir, disse Belinati.
A vereadora Elza Correa (sem partido), única que votou contra o projeto de doação quando este passou pela Câmara, estava em viagem para São Paulo e não foi encontrada ontem para comentar a decisão do prefeito.
Maria Lúcia Ferreira Reichembach, promotora de Justiça de Proteção e Defesa do Meio Ambiente de Londrina, comemorou o decreto assinado na prefeitura e classificou a decisão de Belinati como sábia. Percebi nele a preocupação de homem público, definiu a promotora. Segundo ela, o saldo de toda a polêmica em torno da doação do aterro foi altamente positivo porque possibilitou uma discussão mais séria sobre o meio ambiente. Em consequência, ela diz, aprofundou o nível de consciência ecológica entre os londrinenses. E o melhor: tivemos um final feliz.


