Arapongas – O Conselho Municipal de Segurança Pública de Arapongas convocou ontem uma reunião de urgência com autoridades do setor. O encontro, ocorrido a portas fechadas na sede da Prefeitura e de conteúdo sigiloso, tratou da série de atentados ocorridos na cidade – foram registrados cinco casos em menos de uma semana.
Três ocorreram num intervalo de pouco minutos anteontem à noite, quando um ônibus da Transporte Urbano Arapongas (TUA) foi incendiado no Jardim Bandeirantes. No mesmo horário, a base comunitária da Guarda Municipal do Jardim Flamingos foi crivada de balas. As marcas dos tiros demonstram que a arma usada no crime foi uma espingarda calibre 12, mas o local ainda vai passar por perícia
técnica.
Outro fato que chamou bastante atenção foi o blecaute no Jardim Aeroporto, justamente onde está sediada a 7ª Companhia Independente da Polícia Militar. Na semana anterior, a outra base comunitária da guarda havia sido alvo dos bandidos, que atearam fogo no imóvel. Também foi registrada uma rebelião ocorrida no minipresídio da cidade.
Deste mesmo local, dias antes, um detento demonstrou publicamente problemas no sistema carcerário de Arapongas. Ele ligou para um dos telejornais de maior audiência na imprensa regional criticando a comida servida dentro da cadeia, reclamação que revelou a fragilidade da segurança.
Em nenhum dos atentados houve vítima, mas a cronologia dos fatos contra repartições do governo colocou o setor de segurança pública em alerta. "Tudo indica, como (ocorreu em) Santa Catarina, que seja uma ação orquestrada em represália aos problemas do nosso minipresídio", afirmou o secretário de Segurança, Antonio Glenio de Oliveira Machado. Ele ordenou mudanças na postura da Guarda Municipal depois dos atentatos. "É uma preocupação para preservar vidas."
A Polícia Civil não tem o mesmo entendimento. Coincidência ou não, os casos são tratados como atos de vandalismo. "Não há facção criminosa, são vândalos", observou o delegado Pedro Lucena.
Ele concluiu ontem o inquérito sobre o incêndio do coletivo. Quatro jovens foram detidos horas depois do crime. Dois confessaram formalmente a autoria deste e do incêndio na base comunitária da GM. "Eles são usuários de droga e disseram ter feito isso num momento de alucinação", explicou.
Um dos detidos é Erick Douglas Pereira da Silva, 23 anos, que cumpria prisão domiciliar. Ele teria dado a ordem de incendiar o coletivo. Silva cumpriu mais de um ano de prisão por tráfico de drogas.
"Ele esteve no local do incêndio e ficou até a remoção do ônibus porque mora a 100 metros dali. Ele não tem participação alguma no crime, seria muita ignorância ficar assistindo tudo na frente da polícia", rebateu o advogado de defesa Marcio Marques Rei. Os outros suspeitos de participação no crime têm 13, 15 e 17 anos. Este foi o terceiro ônibus incendiado por criminosos nos últimos dias no Estado.

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